
I SEMANA DA QUARESMA
DESERTO E CONVERSÃO: Mc 1,12-15
“Converte-vos e crede no Evangelho”
Ao iniciarmos a 1ª Semana da Quaresma, o Senhor que se dirige ao deserto, nos convida à solidão como espaço e atitude de esvaziamento, de encontro conosco mesmo, de purificação, de conversão, de escuta da voz do Divino Amante e como lugar da união mística com Ele (cf. Os 2,16-22).
São Paulo da Cruz que entendeu e amou profundamente a solidão, nos ensina a vê-la não simplesmente como um vazio, uma ausência, algo negativo, mas como um espaço fecundo, repleto da presença de Deus.
O deserto físico em si, em suas agruras já conduz ao esvaziamento, ao despojamento, à busca e à redução ao essencial. O deserto interior tem a mesma propriedade, e por isso ser torna espaço salvífico.
Dentro dele ecoa com toda força o convite do Senhor: “Convertei-vos e crede no Evangelho”.
Que possamos nesta semana, nas disposições que o nosso retiro vai realizando e despertando em nós aderir a este apelo.
Converter é como os reis magos, voltar por um outro caminho (cf. Mt 2,1-2). É também como Zaqueu restituir a justiça (cf. Lc 19,1-10), reparar o mal feito. É abrir espaço em minha vida para que o jeito, os sentimentos e as razões de Deus se revelem: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).
O Senhor neste tempo, de maneira especial, a nós se revela. Acolhamos com fé a sua epifania de amor.
ORAÇÃO: Concedei-nos, ó Deus onipotente, que, ao longo desta Quaresma, possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder ao seu amor por uma vida santa. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
1º Dia: VER A FACE DE CRISTO, AQUI E NA ETERNIDADE
Texto bíblico: Mt 25,31-46: O que fizeste ao menor, a mim o
fizeste…
Diário 04/12: Desejo que lhe seja retirada a pele ainda que
seja por uma só pessoa. Desejo de vê-lo face a face
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
Paulo da Cruz tem entendimento infuso do gozo que experimentaremos quando virmos o Bom Deus face a face, na união com Ele no santo amor; e deseja despojar-se do corpo para antecipar esta felicidade.
O Evangelho nos antecipa esta visão ao nos revelar que, o Senhor a quem buscamos, está presente no meio de nós, mas escondido nos pobres, famintos e necessitados. O Senhor continua crucificado em nosso meio! Talvez este mistério da nossa fé seja o mais intragável, exigente e desafiador!!!
Paulo deseja até que lhe arranque a pele, ainda que seja por uma única pessoa que não sente o fruto da Paixão, contempla no Crucificado, a imensidão do amor de Deus, e descobre nos pobres, especialmente nos pecadores, a face hodierna daquele que deu a vida por amor e hoje nos interpela a fazer mesmo: “Não há maior amor do que dar a vida pelos outros”.
Ver o pobre recuperar a própria dignidade perdida ou negada, já é contemplar a glória de Cristo: “A glória de Deus é o homem vivo” (Santo Irineu).
2º Dia: ESTAR NOS BRAÇOS DO PAI COMO NO SEIO DE UMA
MÃE
Texto bíblico: Mt 6,7-15: Oração do Pai Nosso
Diário 29/12: Como um bebê que mama
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
Neste dia, Cristo nos ensina como rezar. Mais do que palavras a serem repetidas ad litera, no “Pai Nosso”, em seus sete pedidos encontramos o conteúdo e o critério de toda a oração cristã. Rezar ou pedir outra coisa que não se inclua nestes pedidos, não é uma oração cristã – diriam os Santos Padres da Igreja.
Invocar a Deus como Pai, alude a uma das melhores formas de nos relacionarmos com Deus, feita de confiança, intimidade, comunhão.
Paulo da Cruz, em sua profunda experiência mística, antecipa muito a compreensão que hoje temos de Deus como mãe, e mãe que amamenta!
O que nos faz filhos e filhas de Deus Pai-Mãe em amor é a união de vontade, é a adesão e entrega constante de todo o nosso ser ao seu amor, aos seus desígnios.
Por estarmos neste tempo propício à oração, aprendamos a orar com Jesus; a orar com seu fiel discípulo: Paulo da Cruz.
3º Dia: O MAIOR E MAIS CONVINCENTE SINAL: O SINAL DA CRUZ
Texto bíblico: Lc 11,29-32: Nenhum sinal será dado a não ser o de Jonas
Diário 04/12: Dor por ver a perda de tantos…
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
Jesus no Evangelho de hoje se mostra indignado com aqueles que, embora presenciem suas ações libertadoras, ainda pediam um sinal. Na versão de Mateus (12,38-42), o sinal de Jonas, ao qual é alegada a narração, é a sua permanência no ventre da baleia por três dias e três noites, tal como o próprio Jesus que ficará no seio da terra por três dias e três noites. Portanto, o sinal, o grande sinal, é a Paixão e morte de Jesus e, conseqüentemente, a sua ressurreição por amor.
São Paulo da Cruz também compreenderá e anunciará em toda a sua vida que a Paixão é a maior e mais estupenda obra do amor de Deus, maior do que qualquer milagre: é “o milagre dos milagres”, maior até mesmo que a Criação do mundo.
Por isso não é por outro motivo que, como Jesus, Paulo, no texto do Castellazzo que hoje refletimos, lamenta a “perda e tantos que não sentem o fruto da Paixão do meu Jesus” e gostaria que lhe arrancassem a pele ainda que por conta de apenas uma única pessoa.
Que aos nossos olhos neste dia, possa ser revelada – em toda a sua extensão e profundidade que possamos suportar – o mistério do Sinal da Santa Cruz, nossa “única esperança”.
4º Dia: PEDI E RECEBEREIS
Texto bíblico: Mt 7,7-12: Pedi e recebereis
Diário 28/11: Paulo vê os santos rogando em sua intenção
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
O Evangelho deste dia quer nos despertar para a confiança que devemos ter ao rezar. Como Pai, Ele nunca deixa de nos atender. E se não realiza como nós pedimos, é porque Ele o faz bem melhor, sabendo qual é o verdadeiro bem que nós necessitamos.
Junto conosco os santos também intercedem por nós como, neste dia, lemos no diário de Paulo da Cruz.
Pressuposto para alcança o que precisamos é estarmos atentos em realizar os pedidos dos irmãos. O Evangelho de Lucas, que também fala da insistência na oração (cf. Lc 11, 5-8), narra a parábola de alguém que, no meio da noite, bate à porta do seu amigo; mas o faz para pedir pão para outros que chegaram à sua casa famintos.
Quem também realizaem tudo a Vontadede Deus, sempre alcança o que pede, pois só pede o que Deus lhe quer conceder.
5 º Dia: QUEM NÃO AMA É HOMICIDA
Texto bíblico: Mt 5,20-26: Todo aquele que se encolerizar contra o
seu irmão…
Diário 21/12: Paulo irritado com os sacerdotes que chegam
atrasados
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
Já no início da perícope do Evangelho de hoje, Jesus deixa claro o nível espiritual que deseja dos seus seguidores: a sua justiça deve superar a dos escribas e fariseus.
Portanto, é algo longe de um perfeccionismo externo, que se contenta apenas em não matar, mas próximo de uma prática externa que nasce de um interior moldado pelo amor.
Por isso, simplesmente não matar, é pouco, porque não amar, já é cometer homicídio: “Quem não ama permanece na morte. Todo aquele que odeia o seu irmão é homicida” (IJo 14b-15a).
Pois, as atitudes de quem não ama nem quer amar logo aparecem, pois “o amor é paciente, é serviçal, não é ciumento, não é orgulhoso, nada faz de inconveniente, não procura o próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor, não se regozija com a injustiça, mas encontra a sua alegria na verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (ICor 13, 4-7).
Vemos no texto do Diário, a luta de Paulo da Cruz para vencer a tentação, inclusive a de impaciência e desprezo pelos outros.
Que, como Ele, possamos sair vitoriosos em nosso desejo de amar sempre mais.
6º Dia: Amar os próprios inimigos, como Deus nos
amou
Texto bíblico: Mt 5,43-48: Amar os próprios inimigos
Diário 05/12: Jesus veio salvar os pecadores, não os justos
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
Ontem e hoje refletimos textos evangélicos que pertencem ao conjunto do “Sermão da Montanha”, no qual Jesus nos pede e convida a viver uma “justiça maior que a dos escribas e fariseus”.
Hoje Ele nos desafia no ponto mais alto, quando nos convida para – no amor – “sermos perfeitos como o Pai”. Mais ainda Ele nos solicita a amar principalmente aqueles que nos são mais difíceis de amar: os inimigos e os que nos perseguem.
Deus nos dá a medida do amor, pois nos amou e nos salvou quando ainda éramos inimigos seus; e nos amou e se reconciliou conosco através da morte do seu Filho na Cruz (cf. Rm 5,11)
“Se Deus nos amou assim, também nós devemos amar-nos uns aos outros” (IJo 4,11).
II
II SEMANA DA QUARESMA
A transfiguração: Mc 9,2-10
“Eis o meu Filho muito amado, escutai-o.”
Vimos na semana passada a nossa quaresma e o nosso retiro como convite a adentrar no Sagrado deserto interior. Nesta semana, o Senhor através da liturgia nos conduz ao alto da montanha para nos envolver como nuvem em sua epifania. São várias as citações em que a Bíblia nos apresenta a montanha como lugar privilegiado de encontro com Deus (cf. Ex 3; IRs 19; Lc 6,12).
Em sua transfiguração o Senhor nos confirma e nos alenta com os sinais antecipados da sua glória e da vitória da vida sobre a morte.
O Pai o revela como o seu Filho Amado e nos ensina também a antecipar a nossa alegria e vitória na escuta do Filho –o Verbo encarnado, revelação do seu Ser, a sua essência–, na escuta de sua Vontade Salvífica.
É que escutar, obedecer e viver esta Revelação é já participar da comunhão com o Senhor que nos faz íntimos seus (cf. Mc 3,31-35). Suas palavras nos alimentam até mais do que o pão, pois não só deste vive o homem (cf. Mt 4,4), pois são alimento de vida eterna, e nos faz comensais do Senhor Jesus, cujo alimento é fazer a Vontade do Pai (cf. Jo 4,34).
A contemplação antecipada da glória se torna também possível ao ler o Crucificado por dentro, como nos ensina São Paulo da Cruz. É nesta decodificação do seu incomensurável amor revelado na Cruz, a obra mais estupenda da sua Paixão pela humanidade, que contemplamos os traços mais belos, fulgurantes e cativantes do Divino Amante. E assim cantamos com São Boaventura, acentuando com tonalidade máxima o último acorde: “Belo é Deus, o Verbo junto de Deus. (…) É belo no céu, belo na terra; belo no seio, belo nos braços dos pais, belo nos milagres, belo nos suplícios; belo quando convida à vida, belo quando não se preocupa com a morte; belo ao deixar a vida e belo ao retomá-la; belo na Cruz, belo no sepulcro, belo no céu!”
Que nesta semana, seduzidos pela infinita caridade do nosso Deus, possamos estar atentos em ouvir a sua Palavra de Salvação. Ele –Jesus– é também para nós, como o é para o Pai, o nosso bem amado.
ORAÇÃO: Ó Deus, que nos mandastes ouvir o vosso Filho amado, alimentai nosso espírito com a vossa palavra, para que, purificado o olhar de nossa fé, nos alegremos com a visão da vossa glória. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
1º Dia: AMAI COM A MESMA MISERICÓRDIA COM QUE FOSTES
AMADOS
Texto bíblico: Lc 6,36-38: Sede misericordiosos como vosso Pai
Diário 28/12: Paulo se reconhece como um milagre da
infinita Misericórdia
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
Da ordem dada em Levítico (19,2), no contexto ritual de puro e impuro, de ‘sermos santos como Deus é Santo’, chegamos à ordem dada no Evangelho de hoje de ‘sermos misericordiosos como o Pai é misericordioso’.
Falar em misericórdia Divina é tocar em um dos atributos mais específicos de Deus; o livro do Profeta Oséias o reconhece ao Lhe atribuir estas palavras: “Meu coração se contorce dentro de mim e, ao mesmo tempo, a minha compaixão se acende. Não darei curso ao ardor da minha cólera, não tornarei a destruir Efraim, pois sou Deus e não homem, sou santo no meio de ti: não virei com furor” (Os 11,8c-9).
Misericórdia significa amar quem não merece amor, quem não é amável. Na cruz, Deus realiza isto da forma mais estupenda, ao dar a vida por todos nós pecadores. Somos “milagres da sua infinita misericórdia” (São Paulo da Cruz).
Nós também somos chamados a nos deixar “tomar pela misericórdia” (cf. Lc 10,33). Mas isto em nós, pela iniciativa de Deus que nos amou por primeiro, já é em si resposta e reflexo agradecido de tudo o que recebemos de Deus.
“De graça recebestes, de graça também daí” (Mt 10,8).
2º Dia: DEUS VOS CORRIGE COMO A FILHOS
Texto bíblico: Mt23,1-12: Ai de vós escribas e fariseus hipócritas
Diário 26/12: Deus castiga neste mundo por misericórdia
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
Estendendo a leitura bíblica do texto evangélico até o versículo 36, podemos perceber Jesus fazendo uma severa correção fraterna aos escribas e fariseus.
Certamente isso nos choca, pois estamos acostumados com um “jesusinho” manso e humilde de coração, bem de acordo com a nossa mediocridade na vivência do Evangelho. São Paulo da Cruz em seu diário, lembra que Deus, com infinita misericórdia, corrige aqui naTerrapara evitar o castigo do inferno.
Deus nos corrige como um Pai que ama os seus filhos, nos lembra a carta aos Hebreus (cf. Hb 12, 4-13)
Que a reflexão de hoje nos leve a examinar onde precisamos da correção de Deus. E também a nos recordar onde mais os nossos irmãos nos corrigem: será que eles não têm razão?
3º Dia: O PRIVILÉGIO DE SERVIR
Texto bíblico: Mt 20,17-28: Se alguém quer ser o primeiro, seja o
servo de todos
Diário 07/12: Paulo se sente indigno de estar a serviço de
Deus como fundador
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
Vivemos em uma sociedade extremamente competitiva, disto todos nós já sabemos, e as palavras de Jesus não vêm apenas nos chamar à conversão, mas também vem nos oferecer a verdadeira paz aos nossos corações.
Porque é extremamente desgastante viver ao peso das rivalidades, competições, cobrança e, o pior de tudo, quando estão internos: ciúme, inveja, necessidade de ser e se sair melhor do que os outros etc.
Que possamos experimentar a paz de compreender que a maior grandeza é servir; que as oportunidades e dons que temos são para fazer o bem aos outros; que se alguém é colocado acima dos demais, é para servir mais e não se servir dos demais.
Paulo compreendeu ser uma grande honra poder estar a serviço de Deus e, para tanto, embora se sentisse indigno, compreendeu que se o “Sacramentado Esposo” se utilizaria dele para a sua obra, mais resplandeceria a sua infinita misericórdia.
4º Dia: BEM AVENTURADOS OS POBRES E OS
MISERICORDIOSOS PORQUE DELES É O REINO DOS CÉUS
Texto bíblico: Lc 16,19-31: Parábola de Lázaro e o rico
Diário 24/12: Jesus nasceu em extrema pobreza
26/12: Deus castiga na terra para que se converta
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
A parábola do rico e do pobre Lázaro nos coloca diante de uma situação bem atual, que é a distância social entre ricos e pobres. Hoje, através dos condomínios e estratégias de segurança, o pobre não tem mais nem mesmo a oportunidade de se assentar junto à porta do rico para lhe pedir esmolas.
Mas enquanto nós nos distanciamos dos pobres e incômodos, Deus faz o caminho inverso e, deixando a Sua glória, vem nascer em meio à pobreza com todos os incômodos e, mais do que tudo, assumindo a miséria e a podridão dos nossos pecados.
O rico na mansão dos mortos pede que se mande Lázaro à casa dos seus para que se convertam, vendo-o ressuscitado. Mas enquanto estamos por aqui é a visão compassiva e operante para com os desfigurados e crucificados que pode nos converter e salvar.
É a pobreza do presépio que enternece o coração de Paulo, bem como é nas Chagas e sofrimentos do Redentor que ele encontrou a maior e mais estupenda obra do Amor Divino.
“Bem aventurados os pobres, porque deles é o Reino dos Céus. Bem aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (cf. Mt. 5, 3.7)
5º Dia: NÃO MATAR, MAS MORRER PARA O PECADO
Texto bíblico: Mt 21,33-43.45-46: Parábola dos vinhateiros
homicidas
Diário 15-18/12: Não gostaria mais de ver o “Senhor”
ofendido
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
Paulo reza pela conversão dos pecadores por desejar ardentemente que o Senhor não seja mais ofendido.
Os Sumos Sacerdotes e os fariseus se irritam com a Parábola de Jesus, pois compreendem que são eles os “vinhateiros homicidas”.
Como pecadores, todos nós ofendemos e rejeitamos a Deus, e pertencemos ao grupo desses vinhateiros que não produzem os frutos esperados pelo Pai.
Que neste dia, ouvindo o apelo de Deus que nos chama à conversão, não nos fechemos como os Sumos Sacerdotes e fariseus “que procuram eliminar Jesus”, mas sejamos nós que morramos para nós mesmos, para os próprios pecados, para vivermos a vida plena a qual Deus nos convida.
6º Dia: ENTRAR E ESTAR NA CASA DO PAI COMO IRMÃO
GRATUITAMENTE AMADO, PERDOADO
Texto bíblico: Lc 15,1-3.11-32: Parábola do filho pródigo
Diário 07/12: Sou o maior pecador e recebi tantas graças
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
Estamos diante de uma das páginas mais belas de toda a Bíblia. Aqui Deus se nos revela como um Pai cheio de amor que nos espera a cada instante.
Assim como a Paulo da Cruz, o conhecimento de nós mesmos, das nossas próprias fraquezas e pecados, da necessidade que temos de estar na casa do Pai, é o pressuposto necessário para experimentar quanto Ele nos ama, nos espera e é “pura misericórdia”.
A experiência da misericórdia de Deus funda-se na gratuidade do Seu amor, que não se baseia nos méritos pessoais que, na verdade, nem temos; e nos faz irmãos felizes, de que também os outros, experimentem o Seu amor.
O vazio de nós mesmos é que nos possibilita a voltar, entrar e estar felizes na casa do Pai, com todos os irmãos.

III SEMANA DA QUARESMA
A PURIFICAÇÃO DO TEMPLO (Jo 2,13,25)
“Destruí este Templo, e eu o reerguerei.”
Iniciamos hoje a 3ª semana do nosso Retiro quaresmal. Certamente estes dias, por mais espirituais que sejam, têm o preço de nos colocar bem de frente com os nossos limites, fraquezas e pecados, de experimentar o nada que somos. É este, de certa forma, o ônus negativo do retiro.
Jeremias, na sua experiência vocacional, é chamado pelo Senhor “para arrancar e derrubar, para arruinar e demolir, para construir e plantar” (Jr 1,10). É isto também que o retiro vai realizando em nós, com a graça de Deus.
A palavra iluminadora desta semana é a purificação do Templo. Jesus ali faz uma “limpeza” lembrando as razões primeiras da existência de tal edifício, como casa de Deus e casa de oração.
Quantas coisas em nós e em nossa vida precisam recuperar o seu verdadeiro sentido para ser lugar onde Deus se revela! São Paulo bem nos lembra isto: “Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo que está em vós e que vos vem de Deus, e que vós não vos pertenceis? Alguém pagou o preço do vosso resgate. Glorificai portanto a Deus em vosso corpo” (ICor 6, 19-20).
Não tenhamos medo da mão e da Palavra do Senhor que nos purifica, nos “destrói” e nos edifica. Ele mesmo nos adverte que destruído este templo em três dias Ele o reedifica.
É certo que falava do templo do seu corpo, do Mistério de sua Morte e Ressurreição. Mas é justamente através desta destruição operada em sua Paixão, desta morte redentora que Ele também nos reedifica e nos faz criaturas novas. Nós custamos o Sangue de um Deus! E é isto que nos faz consagrados a Ele.
Que nesta semana, possamos adentrar com maior intrepidez, generosidade e contrição nos caminhos de nossa conversão, confiantes na misericórdia redentora e revitalizadora de nosso Deus.
ORAÇÃO: Ó Deus, fonte de toda misericórdia e de toda bondade, vós nos indicastes o jejum, a esmola e a oração como remédio contra o pecado. Acolhei esta confissão da nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
1º Dia: DEUS CHAMA OS SEUS ÍNTIMOS À CONVERSÃO
Texto bíblico: Lc 4,24-30: O profeta não é aceito na sua própria
terra
Diário 29/12: Paulo deseja fugir da Igreja com o Senhor
ofendido
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
Todos nós ficamos perplexos como os concidadãos de Jesus agiram com Ele, no início do seu ministério. A familiaridade não permitiu que eles acreditassem que Jesus era o enviado do Pai. Não viam nEle mais do que o “filho de José, o filho do carpinteiro”.
Todos nós corremos este risco que, pela vivência intensa dentro da Igreja, tornarmo-nos insensíveis diante dos apelos da graça. Não permitimos mais que a Palavra do Senhor nos desafie, nos questione, derrube as nossas falsas seguranças.
Paulo da Cruz sofre e tenta reparar as irreverências para com Jesus dentro da Igreja e gostaria de fugir da mesma com o Senhor para que Ele não fosse mais ofendido. Isto faz lembrar a profecia de Ezequiel que narra o abandono do Templo feito pelo próprio Senhor, desgostoso com os de sua casa (Ez 8-9). Vale a pena conferir!
“Hoje, se ouvirdes a voz do senhor, não endureçais o vosso coração, como em Meriba, como em Massa, no deserto aquele dia, em que vossos pais me provocaram, apesar de terem visto as minhas obras” (Sl 95, 7b-9).
2º Dia: TEMPO PRESENTE: TEMPO DE ATRAIR A MISERICÓRDIA ETERNA
Texto bíblico: Mt 18,21-35: Quantas vezes devo perdoar?
Diário 26/12: Deus castiga aqui para salvar
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
São Paulo da Cruz em sua oração compreende de maneira excepcional, entre muitas lágrimas e profundíssima suavidade, a infinita misericórdia que com ilimitado amor castiga aqui na terra, para que se fuja da eternidade de tormentos.
O Evangelho narra a parábola de alguém entregue à justiça eterna porque não soube aproveitar o tempo e as ocasiões presentes para viver o amor e a misericórdia.
“Enquanto temos tempo, façamos o bem a todos principalmente aos nossos irmãos na fé” (Gl 6,10). “Pois o juízo será sem misericórdia para quem não praticou a misericórdia” (Tg 2,13).
3º Dia: MINHA ALEGRIA É FAZER A VOSSA VONTADE
Texto bíblico: Mt 5,17-19: Vim cumprir plenamente a Lei
Diário 25/11: Luta para fazer a Vontade de Deus
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
Ao contrário daquilo que os doutores da Lei e os fariseus afirmavam, Jesus não veio abolir a lei, mas levá-la a pleno cumprimento.
As suas “rebeliões” não eram contra a Lei, mas contra uma visão fundamentalista da mesma que, desprezando a vida, a pessoa e o amor, se fechava em um ritualismo vazio e em um legalismo desumano.
No Evangelho de hoje, Jesus até exalta quem cumpre com perfeição a Lei, que na verdade são aqueles que realizam a Vontade do Pai e se tornam os seus íntimos (cf. Mc 3, 31-35).
Paulo da Cruz, em seu diário, nos revela as suas lutas, e ao mesmo tempo sua “alegriaem fazer a Vontade Santíssimado nosso Bom Deus”.
Que morrendo ao homem velho e às suas paixões, possamos descobrir a alegria que se encerra na Vontade do Senhor e no seu pleno cumprimento.
“Minha alegria é fazer a Vossa Vontade; eu não posso esquecer a vossa lei” (Sl 119,16).
4º Dia: O VERDADEIRO MAL É A FALTA DE FÉ EM DEUS, VIVO
E PRESENTE
Texto bíblico: Lc 11,14-23: Se eu expulso os demônios…
Diário 23/12: Tentações do demônio
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
São Paulo da Cruz fala das dificuldades em sua oração, dificuldades causadas pelo demônio que perturba a alma com tentações, imaginações e outras tramas de infames artifícios. Em sua luta, no entanto, a pessoa ganha, porque ela se torna como a rocha purificada pela borrasca das ondas do mar que a lavam.
O Evangelho também fala sobre demônios e sua expulsão, assunto esse que, vez ou outra, vem ocupar a nossa atenção.
O interessante é que no Evangelho a palavra de correção ou até mesmo de indignação de Jesus, não esta voltada para os demônios, mas para aqueles que não reconhecem a presença de Deus em seu meio.
Hoje, como ontem, esta é a atitude que mais mal nos causa: o não acreditar em Deus, em sua ação e em seu amor operante e salvador; o viver como se Ele não existisse, valorizando muito mais o mal e as suas obras, o se fechar apenas nas coisas e nas realidades deste mundo, sem uma visão do Deus presente em nosso meio.
É o ateísmo prático que vai transformando o mundo contra o próprio homem.
Como vivo a minha fé em Deus?
5º Dia: AMOR A DEUS E AOS IRMÃOS
Texto bíblico: Mc 12,28b-34: Qual é o maior mandamento?
Diário 15-18/12: Paulo reza pela conversão dos pecadores:
amor a Deus e ao Próximo.
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
Ao doutor da Lei que lhe pergunta sobre qual é o maior mandamento, Jesus com sabedoria, entre os mais de 600 mandamentos que compunham a Lei judaica, decifra os 2 principais que os sintetizam: Amor a Deus e amor ao próximo. Na última ceia, Jesus chega à síntese final, dando-nos o Novo Mandamento: “Amar como Ele nos ama”.
Amor a Deus e amor ao próximo não se rivalizam ou divergem: o amor a Deus se concretiza no amor aos irmãos, e o verdadeiro amor aos irmãos, automaticamente, conduz ao amor a Deus, tanto que no juízo final seremos julgados, não pela nossa fé, mas pelo amor (cf. Mt 25,31-46).
Paulo da Cruz em sua oração reza pela conversão dos pecadores, pois deseja que o seu Senhor não seja mais ofendido. Foi por esta causa – a salvação dos pecadores – que ele consumiu e consumou toda a sua vida, certamente vivendo o que dizia o apóstolo da caridade, São Vicente de Paulo: “o que me adianta amar a Deus, se o meu irmão ainda não O ama?”
“Filhinhos, não amemos com palavras, nem com a língua, mas com obras e em verdade” (I Jo 3,18).
“A Deus ninguém jamais contemplou, se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e seu amor em nós é plenamente realizado” (I Jo 4,12).
6º Dia: O Senhor derruba os orgulhosos e eleva os
humildes
Texto bíblico: Lc 18,9-14: Parábola do cobrador de impostos e o
fariseu
Diário 30/12: Pedi a Jesus que me fizesse humilde
PARA AJUDAR A REFLEXÃO: Em sua oração, Paulo da Cruz pediu a Deus que o fizesse humilde em sumo grau e sentiu que Jesus lhe diz em seu coração, que a humildade que mais lhe agrada é quando a pessoa se coloca abaixo de todas as criaturas, até mesmo do demônio, pois este caiu no mais profundo do inferno, porque quis elevar-se até acima de Deus.
Esta é a grande tentação da criatura humana, já presente nos nossos primeiros pais, que caíram na sedução da serpente, ao querer ser como Deus (cf. Gn 3,5).
“O Senhor derruba os orgulhosos e eleva os humildes” (cf. Lc 1, 51-52).
Assim, no Evangelho de hoje, aquele que se achou tão perfeito como Deus, melhor que os demais por cumprir a Lei, não foi justificado – tal como o publicano que bate no peito e recebe a justificação como dom gratuito da infinita misericórdia de Deus.
Que o Evangelho de hoje nos ajude a derrubar as nossas falsas esperanças e seguranças, por estarem baseadas na nossa própria justiça.

IV SEMANA DA QUARESMA
A CRUZ E O AMOR DE DEUS: (Jo 3,14-21)
“Tanto Deus amou o mundo
que lhe deu o seu Filho único”
Seguindo a teologia do 4º Evangelho, a Cruz é para o Passionista o lugar da glória e da vitória de Cristo. É ali que, no seu extremado amor, tendo-nos amado até o fim (cf. Jo 13,1), Ele venceu e destruiu toda a força do mal e da morte. Vencido, Ele venceu; morrendo, nos trouxe nova vida.
E o nome deste mal vencido pode ser: egoísmo, indiferença, medo, covardia, individualismo, fechamento, vingança, ódio, violência, orgulho, desespero, inveja… Sobre tudo isto Ele é vitorioso com a força do amor.
Por isso, o centro da Boa Nova, do Evangelho deste quarto domingo da Quaresma é a proclamação de que “Deus amou tanto o mundo que lhe deu o Seu Filho único… não para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele” (Jo 3,16-17).
Podemos então atender a Liturgia deste quarto domingo da Quaresma, que nos convida a alegrarmo-nos. Tragamos bem para dentro deste nosso retiro e para as nossas vidas as razões desta alegria. Que possamos ser profundamente invadidos pela certeza do amor de Deus! E que, na medida em que vamos nos aproximando do Tríduo Pascal, possamos crescer na contemplação de tão grande amor, razão de nossa conversão, de nossa paz, de nossa confiança, de nosso equilíbrio afetivo e psicológico, de nossa verdadeira alegria.
Sobre a verdadeira alegria é bom lembrar o ensinamento precioso, singelo e encantador do “Poverello de Assis” (São Francisco):
A verdadeira alegria está em tudo suportar por amor a Cristo, pois “sobre todas as graças e dons do Espírito Santo, que Cristo concede aos seus amigos, está a de vencer a si próprio e, voluntariamente, por amor de Cristo, suportar penas, injúrias, opróbrios e incômodos, porque de todos os outros dons de Deus não nos podemos gloriar, visto que não são nossos, mas de Deus; pelo que diz o Apóstolo: ‘Que tens tu e que não tenhas recebido? E se o recebeste, por que te ufanas, como se não o houvesses recebido?’ Porém da cruz da tribulação e da aflição nos podemos gloriar, porque isto é nosso; e por isso diz o Apóstolo: ‘Longe de mim gloriar-me de outra coisa, que não seja a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo’ ”.
“Consideremo-nos felizes por sofrermos e sentirmos o peso da cruz de cada dia, porque, se tudo suportarmos com a paciência de Cristo, começaremos a ser seus discípulos. Prossigamos pois, neste caminho, seguindo a Jesus até o Calvário” (São Paulo da Cruz).
ORAÇÃO: Ó Deus, que por vosso Filho realizais de modo admirável a reconciliação do gênero humano, concedei ao povo cristão correr ao encontro das festas que se aproximam, cheio de fervor e exultando de fé. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
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1º Dia: CRER SEM VER
Texto bíblico: Jo 4,43-54: Em Israel não encontrei tamanha fé
Diário 23 e 25/11: Nenhum sinal de oração sensível
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
No Evangelho, o oficial Romano se nos apresenta como modelo de fé por acreditar em Jesus, mesmo ser ver sinal algum; atitude elogiada pelo Mestre na versão dos paralelos do mesmo Evangelho (cf. Mt 8,5-13; Lc 7,1-10).
São Paulo da Cruz fala das suas dificuldades por não sentir sinal algum de oração sensível. Mas ele se apega e se “alegraem fazer a Vontade Santíssima do nosso bom Deus”, e não deseja ser aliviado das suas dificuldades, porque ele vive da fé e não busca a si mesmo.
Infelizmente vivemos em um tempo em que se troca a fé por qualquer coisa; bem por isso esta fé muitas vezes se assemelha a um comércio, no qual o que vale é o que se oferece em emoções, curas, sinais, milagres e isto tem acontecido até mesmo na Igreja Católica.
Onde está o maior prodígio: na fé que recebe milagres ou na fé capaz de resistir na “noite” contra toda investida? Esta é a fé que transporta montanhas, pois ultrapassa as dificuldades e continua firme, arraigadoem fazer a Vontadede Deus e não em Deus fazer a sua.
“Ainda que a figueira não floresça, nem a vinha dê seus frutos; a oliveira não dê mais o seu azeite, nem os campos a comida; mesmo que faltem as ovelhas nos apriscos e o gado nos currais; mesmo assim eu me alegro no Senhor, exulto em Deus, meu Salvador!” (Hab 3,17-18).
2º Dia: O SENTIDO DO NOSSO SOFRIMENTO COM JESUS Texto bíblico: Jo 5,1-16: Cura do Paralítico em Jerusalém
(Betesda)
Diário 21/12: Quando Deus envia o sofrimento sem
nenhum consolo
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
São Paulo da Cruz em sua experiência fala do sofrimento sem consolo e de seus frutos, quando ele, suportado com paciência, fixa a pessoa na “Vontade Santíssima do amado Jesus”, querendo estar crucificada com Ele.
Vemos no Evangelho a cura de um paralítico, que não se movimentava há 38 anos. Mas parece, pelo texto bíblico, que a sua cura de nada lhe valeu, pois não creu, nem aderiu ao Senhor.
O sofrimento abençoado do qual fala Paulo da Cruz é aquele que “purifica a pessoa como o ouro no fogo e a torna mais bonita e leve para voar ao seu Bem (…) sem sequer notar. Leva a cruz com Jesus e não sabe”.
Talvez toda esta linguagem soe muito estranha aos nossos ouvidos, envolvidos, como estamos, por uma cultura do prazer a qualquer custo.
O certo é que todos nós, de uma maneira ou outra, sofremos e vamos sofrer. Que arraigados em Cristo, saibamos dar ao nosso sofrimento um sentido redentor que nos livre do vazio e da loucura de sofrer em vão. Que a fé nos sustente.
Que o nosso amor pelo Senhor e a Sua causa nos faça fortes e apaixonados, como os Apóstolos e os mártires que se alegravam por sofrer por causa do nome do Senhor (cf. At 5,41).
3º Dia: CRER NO CRISTO, DEUS COM O PAI
Texto bíblico: Jo 5,17-30: O poder do Filho que possui a vida como
o Pai
Diário 01/01: Conhecimento da divindade e da humanidade
de Cristo
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
Paulo da Cruz, em um estado místico muito elevado, fez a experiência da humanidade e divindade de Cristo e compreendeu não ser possível estar unido à humanidade de Cristo, em santíssimo amor sem, igualmente, estar, como que liquefeito, elevado ao sensível e ao mais alto conhecimento da Divindade.
Escrito em um contexto gnóstico, o Evangelho de hoje vem nos revelar a divindade de Jesus, sendo um com o Pai, que age com Ele e conforme a Sua Vontade, o qual confiou ao Filho todo julgamento. Também como o Pai, o Filho possui a vida em si mesmo.
Muitos conterrâneos de Jesus não foram capazes de Nele perceber algo mais que um simples homem. Apesar das obras por Ele realizadas, muitos não foram capazes de acreditar e não se abriram ao dom da fé.
Dureza de coração e de mente? Orgulho? Inveja? Preconceito? Fechamento e falta de abertura ao novo? Certamente, tudo isto impediu que cressem e se entregassem à experiência da fé libertadora.
E nós? Como é a nossa fé? Cremos mesmo para valer e nos comprometer que Jesus é o Senhor das nossas vidas? Estamos dispostos a tudo entregar e apostar Nele? Para muitos Jesus é apenas um homem, um grande homem, é verdade, mas não alguém que pode iluminar, envolver, desinstalar, convocar e contagiar, em um processo de libertação, humanização, santificação.
Será que a “dureza” também não está em nós?
4º Dia: TESTEMUNHAR O CRISTO
Texto bíblico: Jo 5,31-47: Os testemunhos sobre Jesus
Diário 29/12: Desejo de morrer mártir
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
No Evangelho de hoje, Jesus enumera aqueles que Dele dão testemunho e o anunciam: João Batista, as próprias obras que realizou, as Sagradas Escrituras, Moisés.
Em seu diário, Paulo revela o desejo de morrer mártir, em especial mártir do Santíssimo Sacramento, onde é negado.
Jesus, como Ele mesmo diz, não precisa do testemunho das pessoas: a sua própria vida e obras falam por si mesmas. Mas somos nós próprios que precisamos manifestar a nossa fé, pois sem isto ela está morta (cf. Tg 2,14-26). Jesus nos alerta que “todo aquele que der testemunho de mim diante dos homens, também eu me declararei por ele diante do meu Pai que está nos céus; mas todo aquele que me tiver renegado diante dos homens, também eu o renegarei diante do meu Pai que está nos céus.” (Mt 10, 32-33)
A fé nos convida e nos solicita a anunciar o Cristo em palavras e também em gestos, em comportamento. No mundo anticristão em que vivemos – por uma questão de tolerância e liberdade de expressão – talvez até seja admissível falarmos de Cristo. Mas, latentemente, é inegável a perseguição dirigida ao comportamento cristão que questiona a cultura hedonista, egoísta, individualista e corrupta em que vivemos. O pior é que o “mundo”, que combatemos, muitas vezes mora dentro de nós mesmos, no difícil e árduo processo de conversão.
Que sejamos como os mártires, vencedores em testemunhar nosso amor por Cristo e pelo Reino acima de qualquer outra coisa.
“Tudo considero como lixo, a fim de ganhar a Cristo e ser achado nele” (cf. Fl 3,8-9)
5º Dia: CONHECER JESUS CRISTO
Texto bíblico: Jo 7,1-2.10.25-30: Conhecer Jesus
Diário 06/12: Deus dá a conhecer de modo elevado a Paulo
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
O tema de hoje nos leva a questionar se realmente conhecemos o Cristo.
Paulo da Cruz fala de um entendimento muito elevado, com moções tão espirituais que não podem ser explicadas. Ele se refere, também, a um entendimento infuso.
O grande apóstolo, do qual Paulo da Cruz herdou o nome, tudo considerava como lixo em vista deste conhecimento que leva a participar dos sofrimentos de Cristo (cf. Fl 3,7-11).
Porque, na linguagem bíblica, conhecer tem um sentido muito mais profundo, o qual é explicado em uma relação íntima com o ser conhecido, de tal forma que o termo, em algumas passagens, é usado até mesmo para designar a relação sexual de um casal (cf. Gn 4,1).
Conhecer, então, conduz a um assumir o outro inteiramente dentro de mim, aceitar e assumir a sua vontade, as suas convicções e razões, a sua maneira de agir, o seu ser. É uma questão de fé, em uma entrega que molda todo o nosso ser e que tem que vir do nosso âmago.
“Que ao longo desta quaresma possamos crescer no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder ao seu amor por uma vida santa” (oração coleta do I Domingo da Quaresma).
6º Dia: CRISTO, PALAVRA DE DEUS
Texto bíblico: Jo 7,40-53: Ninguém jamais falou como este
homem
Diário 06/12: Comunicações interiores profundas
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
“Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna” (Jo. 6,68) foi o que respondeu Pedro a Jesus que perguntara se também eles não queriam deixá-lo, na crise gerada com o sermão sobre o Pão da vida.
“Ninguém jamais falou como este homem”, responderam os guardas, supostamente maravilhados com a pregação de Jesus.
Porque “é Ele o resplendor da glória do Pai, a expressão do seu Ser, que sustenta o universo pelo poder da sua Palavra” (Hb 1,3) o Verbo, o Logos, a Palavra feita carne, que habitou entre nós e que, através da mesma, o Pai criou todas as coisas: “Deus disse faça-se …. e assim se fez” (cf. Gn 1)
Jesus, portanto, não tem apenas palavras de vida eterna, mas é a Palavra que cria, que dá vida, que cura, que sustenta o ser humano mais que o próprio pão: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que vem do Senhor” (Mt 4,4).
Pois o que realmente anima o ser humano, a cada amanhecer, não é simplesmente a comida, mas as razões pelas quais viver. E isto se torna mais evidente quando a força da Palavra se torna razões pelas quais morrer, dar a vida, ao que chamamos de um ideal, a uma grande causa.
“A palavra foi dita para ser calada” (Adélia Prado). Que neste dia possamos, no silêncio, acolher a palavra que tem poder de transformar a nossa vida: Cristo Jesus.
V SEMANA DA QUARESMA
SERVIR E SEGUIR O CRISTO: Jo 12,20-33
Se alguém quer me servir, que me siga;
e onde eu estiver, ali estará também o meu servo.
Estamos agora, na quinta Semana da Quaresma, bem próximos dos eventos do Tríduo Pascal e do momento memorial por excelência da Paixão do Senhor, da entrega da sua vida por nosso amor e por nossa salvação.
Como os gregos do Evangelho deste quinto Domingo da Quaresma, procuramos ver Jesus em cada dia deste nosso retiro quaresmal. E a sua face não é outra, do que a revelação do amor infinito de Deus por nós.
Por isso, o semblante humano de Jesus a cada dia em nossa Quaresma, vai tomando as feições do Servo Sofredor, das quais Isaías canta:
“Como raiz em uma terra árida ele não tinha beleza nem atrativo para olharmos, não tinha aparência que nos agradasse. Era desprezado como o último dos mortais, homem coberto de dores, cheio de sofrimentos; passando por ele, tapávamos o rosto; tão desprezível era, não fazíamos caso dele. A verdade é que ele tomava sobre si as nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, as nossas dores” (53,2-4ª).
Como raiz em terra árida, como grão de trigo que apodrece e morre na terra! “Quanto mais desprezível se nos apresenta, tanto mais querido e amável se tornou” (Santo Agostinho).
Vivendo dentro de uma cultura em que se valoriza a estética, quanto às vezes as pessoas se esforçam para alcançar o padrão de beleza tal que as assemelhem a esta ou aquela pessoa famosa!
Como discípulos e missionários do Crucificado, tomemos as feições do nosso Mestre, que é só amor: amor oblativo, amor serviçal, amor que dá a vida.
“Se alguém quer me servir, que me siga, e onde eu estiver, lá estará também o meu servo” (Jo 12,26).
ORAÇÃO: Senhor nosso Deus, dai-nos por vossa graça, caminhar com alegria na mesma caridade que levou o vosso Filho a entregar-se à morte no seu amor pelo mundo. Por Cristo Nosso Senhor. Amém
1º Dia: VAI E NÃO PEQUES MAIS
Texto bíblico: Jo 8,1-11: A mulher adúltera
Diário 15-18/12: Gostaria de nunca mais vê-lo ofendido
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
Pecadores que somos, nos sentimos consolados com a leitura de textos, como o Evangelho de hoje, no qual Jesus acolhe os pecadores com amor. Assim elaboramos a nossa coleção favorita dos Evangelhos da misericórdia: Mt 9, 9-13 (O chamado de Mateus); Lc 7,36-50 (Jesus e a pecadora); Lc 15 (As Parábolas da misericórdia); Lc 23,39-43 (O “bom” ladrão); Jo 8,1-11 (Jesus e a mulher adúltera) etc. Nada mal, pois em nossa condição de fraqueza, temos necessidade de acreditar que ainda resta alguma esperança para cada um de nós.
Mas devemos nos cuidar para não brincar com a graça de Deus. À mulher adultera salva da morte pelo pecado cometido, Jesus diz: “Vai, e de agora em diante não peques mais”.
Paulo da Cruz em seu retiro, reza pela conversão dos pecadores, por já não conseguir mais ver Jesus tão ofendido.
Na verdade, somos pobres e fracos pecadores e caímos inúmeras vezes. Mas pelo amor e santo temor de Deus, devemos fugir da impenitência, da falta de arrependimento sincero e contrito.
Quem muito foi perdoado deve demonstrar muito amor (cf.Lc 7,44-48).
O Senhor veio para os pecadores arrependidos, não para os cínicos.
2º Dia: ESTAR CRUCIFICADO COM CRISTO
Texto bíblico: Jo 8,21-30: Quando eu for elevado da terra atrairei
para mim todo ser.
Diário 23/11 e 06/12: Desejo de estar com Cristo na Cruz
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
Jesus no Evangelho de hoje fala do ser elevado como ocasião propícia para que todos conheçam que Ele É.
Em outras duas passagens do Evangelho de João, Jesus se refere ao “ser elevado”, que bem podemos entender como o momento da sua crucifixão:
- Jo 3,14-15: “elevado a fim de que todo aquele que nEle crer possua a via eterna”.
- Jo 12,32: “elevado atrairei a mim todo ser”.
Para João, a Cruz é o momento da glorificação.
Passionistas que somos, uma vez salvos na Paixão, compreendemos Cristo Crucificado como poder e sabedoria de Deus; e o vemos na Cruz vitorioso sobre a morte e toda forma de mal.
Mas também não pode nos escapar a dimensão que a Cruz comporta como sacrifício martírio, oferta da vida, oblação.
Por isso, Paulo da Cruz, em seu ardor e desejo de estar unido ao Sumo Bem e se identificar com Jesus em sua Paixão, manifesta o desejo de estar com Ele na Cruz.
A Cruz para Jesus é o momento de sua elevação. Que possamos descobrir em nossos sofrimentos, em nossos sacrifícios e renúncias, principalmente por causa do Reino, o momento mais alto da nossa entrega a Deus.
Que o amor ao Crucificado por nós, nos leve ao desejo de nos consumir para a sua glória.
3º Dia: VERDADE E HUMILDADE QUE LIBERTAM
Texto bíblico: Jo 8,31-42: Se o Filho vos libertar, sereis
verdadeiramente livres
Diário 30/11: Humildade que liberta
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
No Evangelho de hoje, Jesus fala da verdade que liberta o coração humano. Escravos da mentira, ou da não-verdade, nos tornamos reféns do pecado também.
De onde nasce a nossa necessidade de mentir, senão da nossa incapacidade de suportar a verdade, principalmente a verdade sobre nós mesmos? Na verdade, queremos e nos angustiamos em parecer melhor do que somos e, para sustentar a falsa imagem que criamos a nosso respeito, precisamos cada vez mais de nos apoiar na mentira que nos envolve e nos escraviza em seus invólucros –, tal como as camadas de uma cebola. Por isso, bem dizem os sábios que a humildade é a verdade.
São Paulo da Cruz, em seu diário, fala sobre o grau de humildade que mais agrada a Jesus. Posteriormente o santo desenvolverá a doutrina do “nada” e do “TUDO”.
Estar no próprio nada, na própria verdade, aceitando e acolhendo este nada, é o caminho para encontrar a paz e a liberdade interior, da angustiosa situação de carregar máscaras e papéis que não nos permite ser quem somos. O princípio de todo pecado, conforme os nossos primeiros pais, é querer ser como Deus (cf. Gn 3,5).
“Vinde a mim todos vós que estais cansados de carregar pesado fardo e alívio vos darei: aprendei de mim que sou de coração humilde e manso” (cf. Mt 11, 28-29).
4º Dia: JESUS, DEUS E HOMEM
Texto bíblico: Jo 8,51-59: Jesus maior que o Pai Abraão
Diário Conhecimento da humanidade e divindade de Cristo
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
À medida que nos aproximamos do Tríduo Pascal a liturgia nos ilumina com textos em que Jesus revela sua verdadeira natureza: de ser Um com o Pai, Deus, onde temos o argumento maior que levou os judeus a condená-lo à morte tal como um blasfemador.
Mas Jesus, no Evangelho de hoje, nos revela a necessidade de Ele mesmo ser coerente com a própria verdade, ainda que isto os escandalize, pois se assim não o fizesse, seria mentiroso como os demais.
Paulo em sua altíssima experiência de Deus, também considera não ser possível “estar unido, com santíssimo amor à santíssima Humanidade, sem estar igualmente liquefeito e elevado ao sensível e ao mais alto conhecimento da Divindade”.
Mencionamos aqui um dos mistérios principais da nossa fé: Jesus Cristo, homem e Deus.
Que abramos a nossa mente, o nosso coração, a nossa vida para acolhermos tal revelação: Deus Onipotente a quem adoramos nas alturas, é o mesmo que se revela e se desfigura nos traços humanos e sofridos de Jesus. Em seu jeito tão humano e amoroso de ser, revela-nos que Ele é Divino. Em seu semblante desfigurado de Crucificado, nos revela – da maneira mais estupenda possível – a sua própria essência: Deus é a Misericórdia, Deus é puro Amor.
Em Jesus, o Amor se faz visível, se faz gestos, se faz pessoa, se faz sorriso, se faz serviço, para que na fragilidade e limites da nossa natureza, contemplemos e apreendamos o Deus invisível.
5º Dia: A PAIXÃO: OBRA MAIOR DO AMOR DE DEUS
Texto bíblico: Jo 10,31-42: Crede ao menos por causa das obras
Diário 08/12: Colóquios sobre a Paixão do meu amado
Jesus
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
No Evangelho de João, os milagres realizados por Jesus são denominados sinais, para que entre obras e palavras, possamos chegar à féem Jesus, Deuse homem: “EU SOU”: “Eu Sou a Luz do mundo, eu Sou o Pão da vida, eu Sou a Ressurreição e a Vida, eu Sou o Bom Pastor, eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida”.
Hoje Jesus nos faz um apelo: “Crede ao menos por causa das obras” (Jo 10,38).
Paulo da Cruz nos fala de seus colóquios com Jesus a respeito da sua Paixão e dos tormentos que Ele suportou por nosso amor.
“A Paixão de Jesus é a obra mais estupenda do amor de Deus. A meditação dos sofrimentos do Salvador tem o poder de corrigir os vícios e conduzir as pessoas ao amor e temor de Deus” (S. Paulo da Cruz).
Que creiamos, ao menos, por causa desta Obra!
O centurião indiferente até aquele momento da morte de Jesus, ao ver o amor com que Ele entregou a Sua vida por nós, confessou: “Este é verdadeiramente o Filho de Deus” (Mt 27,54).
6º Dia: COMPLETO EM MINHA CARNE O QUE FALTA: A PAIXÃO DE CRISTO
Texto bíblico: Jo 11,45-56: É necessário que um só morra pela
nação…
Diário 04/12: Desejo de que lhe arranquem a pele vendo a
perda de tantos…
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
Mesmo concluindo que Jesus realizava muitos sinais, os anciãos e os fariseus decidiram matá-lo; afinal, a eles pareceu melhor que “um só morra pelo povo, do que pereça toda a nação”.
Jesus morre por todos nós; morreem nosso lugar. Elesim é que é o Cirineu que carregou a Cruz em nosso lugar: “Nós o julgávamos fosse um chagado, golpeado por Deus e humilhado! Mas ele foi ferido por causa de nossos pecados, esmagado por causas de nossos crimes; a punição a ele imposta era o preço da nossa paz, e suas feridas, o preço da nossa cura” (Is 53,4b-5).
O preço da nossa salvação já foi pago por Ele. Mas no seu infinito amor, Ele nos permite nos associarmos ao seu sacrifício, e ao seu amor oblativo.
“Completo em minha carne o que falta à Paixão de Cristo em favor do seu Corpo, a Igreja” (Col 1,24), dirá o Apóstolo, sendo seguido pelo seu fiel discípulo, homônimo, Paulo da Cruz.
“Gostaria que me arrancassem a pele, ainda que fosse por causa de uma única pessoa, que não sente o fruto da Paixão do meu Jesus”.
Convidando-nos a amar como Ele nos amou - e Ele nos amou até dar a vida (cf. Jo 15, 11-13), o Senhor nos convida a também desgastar a nossa vida pela salvação de todos.

SEMANA SANTA
PAIXÃO DE JESUS CRISTO: Mc 14,1-15,47
“Verdadeiramente este homem
era o Filho de Deus”
Entre ramos e cantos, festivamente iniciamos a Semana Santa e já nos encaminhamos para o término do nosso Retiro.
A alegria inicial dos hosanas da Liturgia de hoje se choca com as aclamações do povo no Evangelho da Paixão: “Crucifica-o”. O que teria acontecido ao entusiasmo primeiro da multidão que acolheu Jesusem Jerusalém? Nofinal, abandonado por todos, é um estrangeiro, o centurião romano, que permanece ao pé da cruz para confessar: “Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus!”
Ao comparar as nossas atitudes com as de Jesus, que esta semana pinta com todos os contrastes, abre-se diante de nós o abismo insondável da sua infinita caridade, que nos faz sentir uma migalha insignificante em um universo sem limites que nos envolve, que é o Amor de Deus.
Em cada personagem bíblico da Paixão – Judas, Pedro, os Apóstolos, Pilatos, os soldados, fariseus, sacerdotes – nos deparamos com os nossos próprios pecados e limites – com o nosso próprio nada.
O Senhor é amor a toda prova, é amor até o fim (cf. Jo 13,1), é amor sem fim, amor para além do fim.
Esta semana, mais do que tudo é para nos inundar neste mar imenso do amor que é a Paixão de Cristo: seja no Lava pés, seja na instituição da Eucaristia, seja na sua agonia, seja nos seus tormentos, seja no seu sofrimento, seja no seu perdão – ainda assim, na sua Ressurreição – Ele nos espera para nos revelar que o Amor venceu! Não só a morte, mas muito mais: a nossa pequenez, mediocridade e medo. “A paz esteja convosco! (Jo 20,19) ”. Ele nos ama para além do fim!
Se amor é o que nos faz humanos, amar tanto assim só pode ser divino: “Verdadeiramente, este homem é o Filho de Deus!”
ORAÇÃO: Deus eterno e todo poderoso, para dar aos homens um exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador se fizesse homem e morresse na cruz. Concedei-nos aprender o ensinamento da sua Paixão e ressuscitar com Ele em sua glória. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
1º Dia: “DESPERDÍCIO” DE LOUVOR PARA DEUS
Texto bíblico: Jo 12,1-11: Unção em Betânia
Diário 10-13/12: Dificuldades para rezar
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
Diante da mulher que em Betânia fez ao Senhor a oferta do seu melhor perfume, quebrando-o aos seus pés, Judas Iscariotes criticou tal gesto como desperdício, em vista do bem que poderia ser feito aos pobres.
O Senhor tão pobre, que se esvaziou até a morte, que não tinha onde reclinar a cabeça, que veio em socorro dos pobres e sofredores e que até mesmo alertou sobre o perigo das riquezas, tomou a defesa da mulher e aceitou como justo o “desperdício” que ela havia realizado..
Paulo da Cruz fala das suas enormes dificuldades em rezar e permanecer fiel em sua busca de Deus. Não seria mais útil abandonar a oração que, em tal estado, parece mais perda de tempo? À nossa mentalidade materialista e imediatista parece que sim. Nós vivemos em mundo sem Deus, mundo em que é perdida a dimensão da transcendência, no qual , o que vale, é apenas o lucro e o prazer que pode ser tirado de todas as coisas.
Ao valorizar o “desperdício” que lhe fizeram, Jesus nos alerta, que se não somos capazes de dar a Deus “o que é de Deus” – a glória, o louvor que Ele merece – também não seremos capazes, e isto muito menos, de dar aos pobres o que eles precisam. Se tudo se torna questão de lucro, os pobres para nós não têm valor algum.
Será que não estamos mal demais? O mundo está cada vez mais desumano, mais injusto e violento, porque nele não existe mais espaço e “desperdício” para Deus?
2º Dia: “Fica comigo, Senhor, se quereis que Vos seja fiel”
Texto bíblico: Jo 13,21-33.36-38: Traição e negação
Diário 21/12: Tentação de blasfêmia contra Deus
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
Bem tristes são estas passagens da Escritura que falam da traição e negação de Jesus por parte de seus discípulos, passagens nas quais contemplamos a nossa própria condição humana. Tanto que nos Evangelhos sinóticos de Mateus (26,22) e Marcos (14,19), quando Jesus predisse aos Apóstolos que um deles haveria de traí-lo, cada um por sua vez, perguntou ao Mestre se por acaso não seria ele – conscientes, como estavam, das próprias fraquezas.
Em seu diário, Paulo revela tentações de blasfêmia contra Deus e enquanto está disposto a sofrer outras provações e tentações, a esta não, pois não suporta ver-ser tentado contra o próprio Deus.
Somos realmente muito fracos. Dizia São Paulo da Cruz que somos piores que o “nada”, porque somos pecadores. Do nada Deus Tudo criou, mas do pecado, para tudo recriar, Ele teve que sofrer a Paixão, derramar o Seu Sangue por nosso amor!!!
Que ao tomar conhecimento das nossas fraquezas possamos, como Pedro chorar, as nossas faltas, nos esvaziar das falsas seguranças, nos lançar – humildes e abandonados – nos braços misericordiosos do Pai.
“Fica comigo, Senhor, porque é necessária a Vossa presença para não Vos esquecer. Sabeis quão facilmente Vos abandono.
Fica comigo, Senhor, pois sou fraco e preciso da Vossa força para não cair tantas vezes.
Fica comigo, Senhor, porque Vós sois a minha luz e sem Vós estou nas trevas.
Fica comigo, Senhor, pois Vós sois minha vida e sem Vós esmoreço no fervor.
“Fica comigo, Senhor, se quereis que Vos seja fiel”. (SantoPadre Pio de Pietrelcina).
3º Dia: REPARAR A FALTA DE AMOR
Texto bíblico: Mt 26,14-25: Judas vende Jesus
Diário 29/12: Desejo de reparar as irreverências
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
Em seu diário, Paulo da Cruz fala do seu desejo de reparar as ofensas contra Jesus, principalmente no Santíssimo Sacramento.
A riqueza do Carisma e Espiritualidade Passionista que São Paulo da Cruz deixou à Igreja, comporta uma dimensão reparadora. Já antes, em uma experiência mística que teve, no seu íntimo ouviu as palavras de Maria a lhe dizer: “Vês, meu filho, como estou de luto? É por causa da dolorosíssima Paixão do meu amado filho Jesus. Deves fundar uma Congregação, cujos membros se revistam de um hábito igual a este, em sinal de contínuo luto pela Paixão e Morte de meu Filho”.
Os filhos e filhas de São Paulo da Cruz, que são todos os que se identificam com a sua espiritualidade, fazem Memória da Paixão, para que esta, em seu aspecto de morte, injustiça, opressão, maldade, não mais se repita em nosso meio, na vida de tantos irmãos em que Cristo está presente.
A atitude de Judas, de ingratidão e desamor, nos choca em demasia, bem como a maldade, a violência, a perda dos valores morais, as injustiças, que existem em nosso mundo, e suscita em nós a necessidade de reparação, de transformação.
Que possamos realizá-la na humildade, reparando primeiramente as nossas faltas, pecados e omissões e, também, a falta de amor que existe no mundo. Que o façamos na oração mas, principalmente, com a nossa vida permeada de amor.
4º Dia: COMUNGAR E SERVIR
Texto bíblico: Jo 13,1-15: Lava pés (instituição da Eucaristia)
Diário 26/12: Desejo de morrer mártir do Ssmo Sacramento
PARA AJUDAR A REFLEXÃO:
Este dia é muito pequeno para celebrar toda a riqueza que ele comporta: O dom da Eucaristia, do Sacerdócio, do Mandamento Novo, do serviço, da entrega de Jesus no Getsêmani…
No Evangelho proposto para a nossa reflexão, encontramos o resumo de tudo isso na frase: “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amo-os até o fim” (Jo 13,1). Jesus ajoelhado, lavando os pés dos seus discípulos, é a imagem mais perfeita daquele que “se despojou de sua igualdade com Deus” (Fl 2,7) e se fez servo de todos (cf. Mc 10,45) com o propósito de trazer a salvação a todos.
Paulo da Cruz manifesta o seu desejo de morrer mártir do adorável mistério da Eucaristia. Mas o que ele realmente traz, no mais profundo do seu ser, é o desejo de se consumir, como Jesus, pela glória de Deus e pela salvação do mundo. A comunhão que ele fazia, era um verdadeiro assumir em si os sentimentos, a missão, a paixão e o serviço de Cristo em favor de todos.
Comungar e lavar os pés, comungar para lavar os pés é o que hoje o Espírito nos propõe.
DIÁRIO DE SÃO PAULO DA CRUZ
INTRODUÇÃO:
“O Diário que Paulo da Cruz escreveu a pedido do seu diretor Espiritual, Dom Gattinara, Bispo de Alexandria, nos dias do seu Retiro em Castellazzo, contém em síntese as linhas mestras da sua doutrina espiritual, a qual depois ensinará aos seus discípulos.
Recolhido na sacristia da igreja de São Carlos, imerso na solidão e na contemplação de Deus, ele passou por uma experiência mística a outra: das luzes inefáveis, às trevas espessas; da oração de união e dos toques divinos, à embriagues espiritual; da Eucaristia que lhe infunde vigor físico, ao coração que lhe arde de amor; do estase abençoado, à inteligência infusa da Paixão de Cristo, até, como parece, à transformação amorosa da alma em Deus: ele é inundado, de grau em grau, da riqueza dos mais altos carismas do Espírito.
Nestes quarenta dias (de 23 de novembro de1720 a1º de janeiro de 1721) na escola de Deus, aprendeu que a Cruz resume toda a possibilidade de vida espiritual e que a Paixão de Cristo é a porta de tudo o que conduz à contemplação. Sobretudo aprendeu uma grande verdade – que o caminho da santidade pede a imitação e conformação da alma a Cristo Crucificado, verdade que dará um timbre novo à sua direção espiritual.
Ler este diário é uma alegria espiritual, como respirar o ar puríssimo dos mais altos cumes da Mística, onde o Espírito de Deus paira soberano (cf. Gn.1,2).”
Pe. Cristoforo Chiari, CP
INÍCIO DO DIÁRIO: ANO DE 1720
23 de novembro, sábado
Foi o primeiro dia de meu retiroem São Carlos. Tomeia comunhão indignamente. Não estive muito recolhido nem distraído. Passei o resto do dia afligido com um gênero especial de tristeza, que não é a mesma que se encontra nas atividades do mundo, mas trata-se de certo sofrimento interior, que está no espírito e no coração, de mistura com tentações íntimas, que apenas se sentem e, por isso mesmo, me afligem intensamente, de forma que eu não sei, por assim dizer, de onde elas vêm. Tanto mais que, nesse momento, não há sinal algum de oração sensível. Sei bem que Deus me dá a compreender, que isso tudo me purifica a alma. Sei também que, pela misericórdia de nosso bom Deus, não desejo saber outra coisa, nem quero gozar consolo algum, somente desejo estar crucificado com Jesus.
24 de novembro, Domingo
Fiz indignamente a santa oração. Não me senti particularmente elevado, mas permaneci com a costumeira paz interior, isto é, com pura atenção amorosa em Deus, geralmente infundida no espírito. Depois recebi indignamente a santíssima Comunhão. Em seguida estive algum tempo recolhido e terminei desta maneira.
25 de novembro, segunda-feira.
Estive insensível na oração e também distraído. Ao receber a santa Comunhão, no princípio estava recolhido, mas isto logo cessou. O momento em que senti mais fervor, até acompanhado de alguma lágrima, foi à noite. Pedi ao Senhor pela santa Igreja e pelos pecadores, roguei para que se aplaque e não descarregue o castigo iminente que mereço pelos meus pecados. Fiz outras orações que não escrevo aqui. Passei o resto do dia cheio de aflição, de tristeza, tentado também de compaixão em relação à minha família. Irritava-me o fato de ver as pessoas passando, ouvindo-as passear, o barulho, o sino; em uma palavra, parecia-me ter o coração sepultado, sem qualquer sentimento de oração. Todavia não me ocorreu desejar ver-me aliviado disso e, mentalmente, eu me alegrei por estar assim. No entanto, esta alegria não é sentida, porque durante este tempo havia muito trabalho e, em parte, há certa alegriaem fazer a Vontade Santíssimade nosso bom Deus. Esta alegria, porém, está escondida – como que sob cinzas – no mais íntimo do espírito. Sei que é difícil explicar-me, porque a pessoa que não experimentou essa situação, dificilmente a vai entender.
26 de novembro, terça-feira.
Durante a noite fiz a oração indignamente (sem muita concentração), e estive seco, exceto no início, quando senti certa suavidade interior, muito sutil e delicada. Em seguida recebi a santa Comunhão e estive muito elevado em Deus, com altíssima suavidade e um calor no coração, que afetava até o estômago. Sabia que era coisa sobrenatural, e isso me dava grande consolo. Sei que tive também colóquios sobre a Paixão do meu amado Jesus. Quando Lhe falo dos seus tormentos, digo-Lhe, por ex.: “Oh, meu Bem! Quando fostes flagelado, o que sentia o Vosso santíssimo Coração? Meu Amado Esposo, quanto Vos afligia a consideração de meus pecados e de minhas ingratidões? Oh, Amor meu, por que não morro por Vós? Por que não desfaleço por Vós? Às vezes, sinto que não posso mais falar e fico assim em Deus com os tormentos dele infundidos na alma. Às vezes, parece que meu coração se desmancha.
O resto do dia, sobretudo à tarde, eu me senti muito aflito e triste, da maneira que já descrevi. O fato de essa tristeza não tirar a paz do coração, gera grande aflição. Não há, então, consolos espirituais nem qualquer outra coisa. Tenho a impressão de nunca ter tido isso. Sei que digo a meu Jesus que suas cruzes são a alegria de meu coração.
27 de novembro, quarta-feira.
Estive em oração durante a noite. No princípio, por breve tempo, me senti muito recolhido. Em seguida senti alguma inquietação de pensamentos e alguma tentação, o que durou pouco. A santa Comunhão foi acompanhada de grande suavidade e elevação para Deus, misturada com lágrimas. Logo me lembrei que ouvi dizer que, por aí, se propala que não poderei suportar tanto despojamento. Neste momento foi tal o júbilo e o desejo de padecimentos, que o frio, a neve e o gelo me pareciam uma suavidade, e com grande fervor os desejava, dizendo ao meu amado Jesus: Tuas penas, Deus meu, são os penhores de teu amor. Depois, eu ficava assim, regozijando-me no meu amado Jesus, com profundíssima suavidade e paz, sem qualquer ação das faculdades; mas assim em silêncio.
O fervor não termina quando peço pelas necessidades acima expostas. Sei que tive também um impulso particular de ir a Roma, para levar adiante esta grande maravilha de Deus. Da mesma forma eu perguntei a meu Sumo Bem se queria que escrevesse a Regra dos pobres de Jesus. Com muita suavidade senti grande impulso para isso (escrever a Regra). Alegrava-me que nosso grande Deus quisesse servir-se deste grande pecador. Por outro lado, não sabia onde me atirar, ao ver-me tão vil. Basta. Sei que digo a meu amado Jesus que todas as criaturas cantarão suas misericórdias.
28 de novembro, quinta-feira.
Estive árido na oração e um pouco distraído. Na santa Comunhão, eu me senti recolhido. Depois, na hora da ação de graças e da oração, estava imerso em muita ternura de lágrimas, em especial ao pedir ao Sumo Bem o feliz resultado da santa inspiração que, por sua infinita bondade, me deu e prossegue a me dar continuamente. Lembro que invocava a Santíssima Virgem, com todos os anjos e santos, sobretudo os santos fundadores e, de repente, em espírito, me pareceu vê-los, prostrados diante da Majestade de Deus, e rezarem por esse propósito. Isto me aconteceu em um piscar de olhos, qual um relâmpago, em uma suavidade misturada com lágrimas. Devo dizer que não os vi não de forma corpórea. Eu os vi em espírito, com a inteligência da alma, que não sei explicar – quase de repente desapareceram.
29 de novembro, sexta-feira.
Fiz indignamente a oração e recebi a santa Comunhão com aridez. Estive distraído na oração. Quero explicar-me como passo por distrações na oração. Fiz indignamente a oração e recebi com aridez a santa Comunhão. Mesmo distraído na oração, não deixo de estar em paz com Deus, apesar de envolvido por pensamentos que me molestam. Durante a noite, digo à minha inteligência que divaga: Vai aonde quiseres, que sempre irás com Deus. Não sei dizer o que me acontece nestas distrações, isto é, que tipo de pensamentos me passam pela cabeça na oração, (exceto se forem tentações evidentes); só sei que são coisas indiferentes e, às vezes, lembro-me que me vêm também pensamentos espirituais.
De outro lado, pelo que Deus me dá a entender – e disso tenho consciência – sei que minha alma está sempre fixa em Deus com a Sua paz, mas ela permanece mais insensível e escondida. Disso se dá conta a minha vontade, que é a boca por onde entra o santo alimento do divino amor, a qual (a vontade), se bem fique intimamente alimentada, por causa do incômodo que lhe causam estas duas faculdades – memória e inteligência - que correm atrás das distrações, a vontade não deixa de estar atenta ao alimento, que é o santo amor de Deus. Acima e além de tudo isso está o fato de a vontade (eu) não sentir tanto quando lhe estão unidas as outras duas faculdades e, no meu entender, é algo como um bebê. Ele mantém a boca no peito da mãe e mama o leite e, com as mãos e os pés esperneia, se remexe, move a cabeça e faz outras coisas semelhantes. Mas continua mamando, porque não tira a boca do peito da mãe. Claro está que seria melhor para ele ficar quieto do que estar a fazer as coisas mencionadas. Mas, de todas as maneiras, o leite lhe desce pela garganta, pois ele não tira a boca do peito da mãe. Assim é com minha alma: a vontade, que é a boca, não deixa de sugar o leite do santo amor, ainda que as faculdades – memória e inteligência – estejam a divagar. Vale dizer que, na verdade se sente mais proveito quando elas estão apaziguadas e unidas; mas eu não saberia explicar isso melhor, pois o Senhor não me dá a entender outra coisa.
30 de novembro, Sábado: Dia do apóstolo Santo André.
Estive árido e distraído na oração. Estive recolhido durante a Comunhão. Em seguida tive muitas lágrimas. Eu me lembro que pedia muito a Jesus que me fizesse humildeem sumo grau. Desejavaser o último dos homens e o lixo da terra. Eu pedia, com muitas lágrimas, à Santíssima Virgem, que me alcançasse esta graça. Lembro-me de ter dito a meu Jesus que me ensinasse o grau de humildade que mais lhe agrada e senti que me dizia ao coração: Você me agrada mais quando se atira, em espírito, sob os pés de todas as criaturas e até debaixo dos pés dos demônios. Isso é o que me agrada. Então entendi, que é quando nos abaixamos até o inferno, que Deus nos levanta até o Paraíso. Porque, tal como o demônio caiu no mais profundo do inferno por querer levantar-se ao mais alto do Paraíso, assim, por outro lado, quem se humilha até o inferno, faz estremecer o demônio e o confunde. O Sumo Bem o elevará até o Paraíso. Sei que tudo isso é coisa de meu Deus. A Ele sejam dadas honra e glória eternamente. Amém.
1º de dezembro, Domingo.
Estive árido e distraído tanto na comunhão como na oração, com a tristeza costumeira.
2 de dezembro, segunda-feira.
Eu me senti insensível e distraído na santa oração. A mesma coisa aconteceu na santa comunhão, com a diferença que, na santa comunhão, não estive distraído. Quase nunca acontece que eu esteja distraído nesse momento. Seco e árido, isso sim, mas, pouco antes ou pouco depois, sinto sempre, na maior parte das vezes, algum movimento no coração, que vai e vem tão repentinamente, que apenas o sinto, e permaneço como um tronco, por tempo mais ou menos longo. Em tudo seja sempre bendito o Doador dulcíssimo de todo o bem.
3 de dezembro, terça-feira.
Estive imerso o dia todoem grandes aflições. Jáas tive quando era leigo, mas não eram tão sensíveis e veementes. Quanto a mim, ainda que permaneça neste estado, sinto grande desejo que durem e lhe sei dizer (ao Bispo) que, quando chego a este tipo de aflições e afãs (não sei como chamá-los), parece-me estar sepultado em um abismo de misérias. Parece-me que sou o homem mais miserável e abandonado que existe. Sem embargo, eu as abraço, porque sei que é a vontade de Deus e que elas são as alegrias de Jesus. Tenho vontade de dizer com Santa Teresa: ou padecer ou morrer.
4 de dezembro, quarta-feira.
Fiz a oração de modo recolhido e também experimentei suave inquietação de pensamentos. Senti muita suavidade na santa Comunhão. Meu bom Deus me premiou com entendimento infuso do gozo que teremos quando o virmos face a face, ao nos unirmos a Ele com santo amor. Em seguida, doeu-me vê-Lo ofendido; dizia-Lhe que queria ser esfolado ao menos pela causa de uma única pessoa. Ai de mim! parecia-me que ia perder as forças, por ver a perda de tantos que não sentem o fruto da Paixão de meu Jesus. Quando Deus me dá este entendimento profundíssimo do gozo que se vai experimentar ao vê-Lo face a face, isto é, se a alma estiver unida a Ele não pode, por assim dizer, suportar estar envolvida no corpo. Porque com altíssima luz ela se vê no infinito amor do seu Deus; vem-lhe o desejo de se despojar do corpo. Sei que já me aconteceu dizer que o corpo é uma corrente da alma, o qual a mantém amarrada. Enquanto Deus não a romper, com a morte do corpo, ela não pode voar para a união e visão perfeita de seu amado Bem.
5 de dezembro, quinta-feira.
Estive em oração e na Comunhão com muita paz. No início tive muita ternura, isto é, antes de comungar e também muito conhecimento de mim mesmo. Eu dizia aos anjos que assistem ao adorável Mistério, que me atirassem para fora da Igreja, pois sou pior que um demônio. No entanto, não se afasta a confiançaem meu Esposo Sacramentado.Eulhe dizia que se lembrasse do que me deixou no santo Evangelho, isto é, que Ele não veio para salvar os justos, mas sim os pecadores.
6 de dezembro, sexta-feira.
Estive particularmente recolhido, sobretudo na Comunhão, após a qual me vi em grande paz e suavidade, com afetos muito doces. Sentia especialmente fervor ao rogar a Deus que Ele mesmo fundasse, imediatamente, essa Congregação na santa Igreja e enquanto rogava pelos pecadores. Tive muito entendimento infuso dos sofrimentos de Jesus e senti grande ânsia em permanecer perfeitamente unido a Ele, por isso desejava sentir agora seus padecimentos e estar com Ele na Cruz. Estas maravilhas não se podem explicar por meio de comparações corporais semelhantes, porque Deus as dá a entender a nós, por um modo muito elevado com moções tão espirituais, que não podem ser explicadas, mas nós as entendemosem um instante. Permanecitodo o resto do dia, árido e também molestado por pensamentos, mas em paz.
7 de dezembro, Sábado.
Estive em paz na oração da manhã e, em seguida, fui molestado por pensamentos. Na santa Comunhão, estive muito recolhido e elevado, com lágrimas, até o ponto de sentir dor de estômago, pois tremia um pouco de frio; mas depois desapareceu. Isto me sucede com freqüência. Sei que já senti o corpo enfraquecido, porém, (Oh, bondade infinita de nosso soberano Bem!) depois da santa Comunhão, senti que melhorava e muito. Isto acontece pelo entendimento que Deus me dá, o qual provém do grande vigor que recebo daquele angélico alimento, que chega até a fortificar o corpo. Também tive grande fervor, misturado com lágrimas, ao rezar ao meu Deus pela conversão dos pecadores, quando dizia a Deus que já não posso mais vê-Lo ofendido.
Também tive especial ternura ao suplicar a meu Deus que, por sua bondade, fundasse logo a Santa Congregação, e que mandasse pessoas para a Sua maior glória e maior proveito do próximo; isto com grande desejo e fervor Eu também lhe dizia que me aceitasse como o mais ínfimo de seus pobres e me parecia ser indigníssimo (como de fato sou) de estar a seu serviço. Tive um grande conhecimento de mim mesmo. Parece-me, também, quando Deus me dá este grande conhecimento de mim mesmo, que sou pior que um demônio, que sou uma cloaca imundíssima, o que de verdade sou. Porém, não se afasta jamais de mim a grandíssima e terníssima confiançaem meu Sacramentado Esposo.Eulhe digo que, concedendo-me tantas graças e inumeráveis favores, resplandecerá mais a sua infinita misericórdia, porque os faz ao maior pecador. Em tudo seja louvado seu Santíssimo Nome.
8 de dezembro, Domingo.
Na oração estive em paz, como de costume. Ao fazer o oferecimento das dores que meu Jesus sofreu e ao rogar por todos os que me são próximos, eu me senti comovido até as lágrimas. Estive particularmente recolhido na santa Comunhão, sobretudo ao falar, com sentimentos de dor e amor, ao meu Jesus a respeito dos seus sofrimentos. Não sei explicar esta graça tão soberana, que o meu amado Deus me dá neste tempo, não tento explicar porque sei que não posso. Saibam que, quando me ponho a contar a meu Jesus as suas dores, às vezes, assim que consigo considerar uma ou duas, tenho que parar, porque eu não posso seguir falando, pois parece que me sinto derreter. Fico, assim, como que me desfazendo, com a mais elevada suavidade, em mistura com lágrimas, com a dor do meu Esposo infusa em mim; ou, então, para me explicar melhor, fico mergulhado no coração e na dor santíssima do dulcíssimo Esposo, Jesus. Por vezes, tenho o entendimento de todas as dores e permaneço assim em Deus, com esta visão amorosa e dolorosa. Isto é muito difícil de explicar, porque a mim mesmo parece sempre coisa nova.
9 de dezembro, segunda-feira.
Fiquei muito molestado e inquieto por pensamentos. Na santa Comunhão, estive recolhido. Depois permaneci na aridez e novamente fui molestado por pensamentos. Nos pedidos ao meu Deus, na oração da noite, eu me senti cheio de fervor, sobretudo ao pedir pela conversão dos pecadores.
10, 11, 12 e 13 de dezembro (Terça, Quarta, Quinta e Sexta-feira).
Fiquei árido, distraído e tentado. Estava na oração por força. Era tentado pela gula e me dava fome. Sentia frio mais que de costume, o corpo pedia alívio. Por isso, queria escapar da oração. O espírito, porém, com a graça de nosso bom Deus, resistia. As violências e os assaltos sobrevinham-me da carne e do demônio. Quanto a mim, eu os considero assim: que neles estivesse metido o demônio, porque sei que ele tem muita inveja de quem reza.
Ora, como dizia, pela minha resistência, o coração me saltava e eu estremecia dos pés à cabeça e me doíam até os rins e o estômago, mas eu, pela misericórdia de Deus, protestava que não queria deixar a oração, permanecendo nela ainda que me levassemem pedaços. Istome acontecia porque o corpo queria tomar alimento antes do tempo que me havia marcado para consagrá-lo à oração.
Chegada a hora de deixar a oração, permanecia em paz, com grande tranqüilidade, desejoso de padecer cada vez mais, inclusive pedia a meu Deus que jamais me tirasse os padecimentos. Isto já me havia sucedido outras vezes e com freqüência. Por tudo isso Deus seja bendito e amado.
Sei que entendi que este tipo de oração é um grande presente que Deus dá à pessoa para convertê-la em um ramalhete de pureza, em uma rocha nas dores, contanto que não faça mais conta disso. Quando tiver chegado a tal estado, o Sumo Bem a abrasará de amor.
Deve-se estar atento para não deixar a oração neste tempo tão doloroso, porque o sofrimento não diminuiria, ao contrário, a pessoa se afligiria ainda mais, porque se perceberia a cair na tibieza. Sei que Deus me faz entender isso, que aquele que Deus quiser elevar à união com Ele, por meio da santa oração, tem que passar por este caminho do padecimento na mesma oração. Digo padecimento sem qualquer consolo sensível, em que a alma, por assim dizer, já não sabe onde está, mas tem grande conhecimento infuso, que Deus lhe concede, de estar sempre nos braços de seu Esposo, nutrida por sua caridade infinita. Sei que também entendi, ainda que no íntimo, quando me encontrava em padecimento particular que, a quem vencer, será dado o maná escondido, que é aquele do qual nos fala a Escritura. Entendi que este maná escondido será mais doce que o doce alimento do santo amor, isto é, a pessoa se encontra em profundíssimo repouso, com seu dulcíssimo Esposo, na santa oração. Sejam dadas graças a Deus.
14 de dezembro, Sábado.
Estive recolhido e também provei aridez, tive distração de pensamentos e também os sobreditos padecimentos, ainda que não tão fortes. Na santa Comunhão, estive recolhido e percebi que possuía ternos afetos amorosos para com meu Jesus Sacramentado, o qual seja por todos louvado e amado. Amém.
15, 16, 17 e 18 de dezembro (Domingo, Segunda, Terça e Quarta-feira).
Nestes dias estive árido, distraído, com inquietações e combates entre as más ações e o espírito, daquela maneira que antes mencionei… Umas vezes mais, outras menos, também tive momentos de impaciência, desejos de deixar a oração, tentações de comer, movido fortemente pela fome. E isto me acontecia também na oração. Mas eu dizia ao meu Jesus que não me livrasse, que até me fizesse passar por estes padecimentos. Porque – devido à particular graça de meu Deus – ainda que me encontre em grandes desolações, tentações e aflições interiores, não me ocorre desejar consolo.
Nestes dias, tive repentina moção do coração para as lágrimas, as quais, porém, desaparecem rapidamente, ou, pelo menos, duram muito pouco. Eu voltava, então, àquele modo de estar dito anteriormente. Pela misericórdia do Sumo Bem, porém, não perco a paz do coração. Não me parece que sinta o coração perturbado por escrúpulos; estava, antes,em paz com Deus.É certo que me parece que nada faço de bom, pois assim é na verdade, mas confio na suma bondade do Sumo Bem, que Ele seja amado por todos, amém. Não se me vai o desejo contínuo da conversão de todos os pecadores, e me sinto particularmente movido a rezar a Deus por este fim, porque eu quereria que Ele nunca mais fosse ofendido.
19 de dezembro, quinta-feira.
Tive suavidade misturada com lágrimas, com muita contrição de meus pecados; isto sucedeu não apenas antes de confessar-me, mas também depois. Porém, isto logo desapareceu.
20 de dezembro, sexta-feira.
Tive aridez e também recolhimento pelos sofrimentos de meu Jesus. Recordo-me que, pela tarde da quinta-feira anterior, dizia que o lembrar-me do dia fúnebre e doloroso da sexta-feira causa espasmos de provocar desgraças. Por isso pedia a meu Jesus que me mandasse desgraças.
21 de dezembro, sábado, dia de São Tomé, apóstolo.
Tive muito trabalho com assaltos e combates no estilo já dito; é assim mesmo. Porque eu, com a graça de Deus, quero manter submetidas as más tendências, e torná-las submetidas e obedientes unindo-as à razão; contudo, isso me parece árduo e, quando sinto fome, quereria alimentar-me. Quando o corpo está cansado de trabalhar ou de orar, pelo longo tempo que permaneço de joelhos, ele quereria descansar. Se sente frio quereria aquecer-se, etc. Por isso digo que, durante o dia, me vi intensamente molestado, pela maior parte dessas coisas. Eu resistia e queria ficar com Deus na oração, mesmo sentindo-me afligido e desolado. O corpo, ao contrário, não queria e, por isso, se excitavam as paixões com veementes aflições do coração, tais eram elas que eu tinha a impressão que meu coração iria saltar para fora do corpo, o que me fazia estremecer dos pés à cabeça, de tal modo me doíam os ossos parecendo-me não poder resistir mais.
Logo me vinha o inimigo com tentações de impaciência, fazia-me sentir desprezo até contra os sacerdotes que vinham celebrar a missa, fazendo-me ver que chegavam por demais atrasados, e me parecia ser impelido de lhes dizer grandes besteiras inqualificáveis. Então eu levantava a voz para Deus e para Maria Santíssima, a pedir ajuda, porém protestando querer permanecer assim até o término de todas as missas, isto para ir contra a tentação, tanto que me parecia ser violentado a ir embora. Ao final disso, sobrevinham-me tentações horrendas de blasfêmias contra Deus, parecendo-me que dizia dentro de mim, as mais execráveis barbaridades. Então recorria suspirando à Maria Santíssima que me ajudasse.
Saiba que, nesse estado, a pessoa se encontra como que em grande abandono. não sente no coração devoção para com o seu Deus. Não lembra nada mais das coisas peculiares do espírito. Parece-lhe estar submersa em um abismo de miserabilidade. Sem embargo, ainda que se encontre em grande desolação, é verdade que as ditas tentações contra Deus desaparecem como um relâmpago e o Sumo Bem não permite que minha pobre pessoa permaneça muito tempo nestas horríveis tentações. No fundo do coração, há um íntimo e quase imperceptível desejo de estar sempre sofrendo, sejam estas ou outras dores.
Também é verdade, por outro lado, que peço a Deus para ver-me livre destas tentações contra Ele. Estas diabólicas insinuações trucidam a alma e o coração. Não me importa padecer, mas eu não posso sofrer por me perceber tentado contra meu próprio Deus.
Sei, não obstante, que nisso resplandece a glória de Deus e o demônio fica humilhado, porque na resistência que eu faço e naquelas dores – segundo o entendimento que Deus me dá – o Sumo Bem se compraz e o demônio é escarnecido e foge. Entendo também que Deus me tem nos braços, ainda que eu nem perceba. E daqui provém o parecer-me estar em grande abandono e em grande miséria, assemelhando estar tudo misturado com os já referidos assaltos diabólicos. Se Deus, na sua infinita misericórdia, não me ajudasse de maneira extraordinária, seria pavoroso.
Tenho que dizer uma coisa para a maior glória de Deus: quando estou neste estado por longo tempo, no qual raramente me encontrei, ainda que não com tanta veemência, rogo a meu Jesus Crucificado, que não me livre dele; ao contrário, desejo padecer e tenho certo medo que possa sentir livre, com exceção, porém, no que respeita às tentações contra Deus. Aceito-as quando Deus quiser permiti-las para minha maior mortificação. Este sobredito temor provém do desejo que tenho de acompanhar Jesusem seus padecimentos. Doproveito que disso pode colher, jamais poderei dizer o bastante, mas não é o que eu procuro, porque o amor não busca sua própria conveniência, mas somente a glória do Sumo Bem.
Conversava com um meu irmão muito espiritual, (tanto que não sou digno de ser chamado irmão seu), e a conversação versava sobre os sofrimentos espirituais que uma pessoa padece. Dizia-lhe que não me atrevia a conversar sobre eles, por medo de sentir algum alívio, quando, na verdade, não é assim. Às vezes eu dizia ter mais medo de perder meus sofrimentos, do que muitos o tem de perder suas riquezas. Isso é verdade quando o temor me aflige. Mas eu não temo perder as dores. Elas não me afligem a ponto de me ser tirada a paz do coração. Por isso ando receoso de falar nelas a quem não estou obrigado por dever da santa obediência. Procurei, sim, animar a quem padece, fazendo-lhe notar quanto as dores são doces. Porém, pôr-me a contar o que padeço e o Senhor me dá, isso não farei.
Quisera poder anunciar a todo o mundo a grande graça que Deus nos concede por sua bondade, quando nos manda sofrimentos; sobretudo quando o sofrimento é sem consolo. Porque é então que a pessoa se purifica, tal como o ouro no fogo, e se torna mais bonita e leve para voar ao seu Bem, ou seja, à sua feliz transformação, sem sequer notar. Porque ela leva a cruz com Jesus e não sabe. Isso procede da multidão e da variedade dos sofrimentos, que lhe causam um esquecimento generalizado, de forma a nem se lembrar que padece.
Entendo que isso seja um grande sofrimento frutuoso e de grande agrado de Deus, porque a pessoa alcança uma plena indiferença, de maneira tal que nem ao menos se preocupa nem com o padecer nem com o gozar. Ela somente está fixa na vontade santíssima de seu amado esposo, Jesus, querendo antes continuar crucificada com Ele, porque isto é mais conforme com seu amado Deus que, em toda a sua vida, outra coisa não fez senão padecer. Seja em tudo louvado o Sumo Bem que, por sua infinita bondade, se digna dar e infundir este conhecimento a tão grande pecador.
22 de dezembro, Domingo.
Fiquei recolhido com muito fervor sensível.
23 de dezembro, segunda-feira.
Na oração da noite estive em grande paz, suavidade e lágrimas e com elevadíssimo conhecimento das Suas infinitas perfeições, em especial da Suainfinita Bondade. O resto do dia estive sepultado em desolação e inquieto exteriormente por pensamentos referentes a coisas futuras, pensamentos causados pelo demônio. Entendo por “exteriormente”, alguns pensamentos que vêm como a água do mar, quando está borrascoso, a qual, revolta pelo vento, levanta grandes ondas,que ao se aproximarem das pedras, as golpeiam de tal forma que parecem abatê-las e desfazê-las, masem vão. Elas batem, sim, sem as penetrar nem as desfazer. Pode ser que as desgastem um pouco, mas não há perigo para a dureza da rocha. As ondas, por mais fortes que sejam, não a quebram.
Assim se passa com a alma quando em oração. Nestes momentos ela é como a rocha, porque Deus a protege, pois a envolve em seu infinito amor. Pode se dizer que a alma é como rocha firmíssima, forte e imbatível quando sustentada por Deus. o mal a percebendo que não pode arrebatá-la das mãos poderosas do Altíssimo, trata, pelo menos, de perturbá-la, um pouco, ora com tentações, ora com imaginações, ora com vários pensamentos, ora, para assim a enganar, com outras tramas de infames artifícios, todas com a finalidade de lhe roubar a atenção amorosa para com Deus. Mas tudo é inútil, porque, no meio dessas ondas tempestuosas dos demônios, a pessoa permanece firme como uma rocha, por estar sempre fixaem seu amado Bem.
Esta quantidade de pensamentos serve apenas para arranhá-la um pouquinho, de maneira que fique algum tempo sem este singular e altíssimo dom da contínua visão do seu Amado, embora eu entenda que nem este pouquinho exista. Disse desse modo para me explicar melhor, porque, seja lá como for, isso é compreensível apenas àquela pessoa que se volta contra esses assaltos, e os repele; e por isso, parece à pobrezinha não estar nos braços do amado Esposo, porque perdeu um pouco da atenção amorosa.
Ao contrário, Deus me faz entender, que ela lá está e Ele se compraz em vê-la combater o mal, pois isto lhe serve de maior aproveitamento, porque, em força daquele sofrimento, ela se purifica como a rocha que, se antes da borrasca, estava um tanto, ferrugenta (suja), após a borrasca se torna um pouco mais purificada, porque o movimento das ondas a lavou. A verdade porém, é que precisamos estar atentos porque, quando vêm estas borrascas de inquietações, de pensamentos, é preciso estar sempre fixo em Deus, sem dar atenção às inquietações, porque quando o inimigo percebe que elas não perturbam, que a pessoa não dá importância, o inimigo foge com a zombaria, porque percebe que, com ajuda de Deus, ele não é temido.
Quando me encontro nestas tempestades de pensamentos, volto-me para o meu Deus, dizendo-lhe: Meu Bem, vede só como está esta minha pobre alma, e depois rogo a Ele que, se essa for sua Santíssima Vontade, que me livre dos inimigos e das tentações e, a seguir, permaneço em oração. Eu me confesso, não porque (os inimigos) me incomodem, mas para que tudo seja pelo amor do Sumo Bem, ao qual seja honra e glória para sempre. Amém.
24 de dezembro, terça-feira.
Estive mais recolhido e com lágrimas, sobretudo na Santa Comunhão. Durante a Noite Santíssima (do Natal), também estive recolhido porém, não, de maneira excepcional. Também senti muita ternura, sobretudo ao me recordar do infinito amor de nosso bom Deus, que se fez homem por nós, nascendo em tanta pobreza e com tantos incômodos. Em seguida, eu me repousei no meu Deus.
25 de dezembro, Quarta-feira, Dia de Natal.
Ao amanhecer, eu me confessei com excepcional ternura e contrição e grande conhecimento de mim mesmo. Depois, na santa Comunhão, estive seco como um tronco. E assim permaneci quase todo o dia.
26 de janeiro, quinta-feira, dia de Santo Estevão, mártir.
Estive com excepcional elevação do espírito, sobretudo na santa Comunhão. Desejava morrer mártir, onde se nega o adorável mistério do Santíssimo Sacramento. Há bastante tempo a infinita bondade me concede sentir este desejo. Hoje, porém, o tive de modo excepcional. Desejava a conversão dos hereges, sobretudo da Inglaterra e dos reinos vizinhos. Nessa intenção fiz um pedido particular na santa Comunhão.
Tive também conhecimento excepcional da infinita misericórdia, pois me foi dado conhecer que nosso Sumo Bem, com infinito amor castiga aqui, para podermos fugir da eternidade dos tormentos. Porque sua infinita Majestade sabe o lugar que sua infinita justiça tem preparado para o muito justo e bem merecido castigo do pecado. Por isso, sua infinita misericórdia se move de compaixão e manda amorosos castigos, para com eles avisar às criaturas pecadoras, que O sirvam para que se emendem e fujam daquele eterno castigo. Compreendo isso tudo em um piscar de olhos, com muitas lágrimas e profundíssima suavidade.
27 de dezembro, Sexta-feira, dia de São João Apóstolo e Evangelista.
Eu me senti movido pela infinita Bondade, com grande repouso e suavidade, sobretudo na hora da Santa Comunhão e experimentei – com entendimento infuso e altíssimos consolos do espírito – certo descanso da alma em mistura com as penas do Redentor, nas quais eu me regozijo. Misturam-se amor e dor. Não consigo fazer-me entender sobre isso, porque não é algo explicável. Eu dizia, enquanto ajudava a missa e via Jesus, que Ele me mandasse os Serafins para que me atirassem flechas de amor. Isto acontece pelos ímpetos amorosos que a infinita piedade me concede ao coração. Dizia-lhe, também, que saciasse minha sede do santo Amor, deixando-me beber da fonte do seu Sacratíssimo Coração. Mas este desejo não persistiu na santa Comunhão.
28 de dezembro, Sábado, dia dos Santos Inocentes.
Pela manhã estava árido e tinha a cabeça pesada. Assim estive por algum tempo, até chegar a hora esperada da santa Comunhão, depois da qual eu me senti movido pela infinita Bondade, com grande e profundíssimo recolhimento, com grandes afetos amorosos e colóquios com nosso amado Esposo. Depois me lembrei da sua fuga para o Egito, com tantos incômodos, sofrimentos e trabalhos, também de São José, e de Maria Santíssima, mas sobretudo de Maria Santíssima.
Misturavam-se, na minha pobre pessoa, com muitas lágrimas e suavidade, a dor e o amor. De tudo isso, tenho o mais alto conhecimento infuso que, por vezes, atinge todo o conjunto e, outras vezes, um único Mistério. Eu, porém, entendo em um repente, por obra do seu infinito amor e misericórdia. Ao mesmo tempo, a alma O entende de maneira elevadíssima, ou se compraz ou sente compaixão, conforme os mistérios. Na maior parte das vezes, surge sempre uma santa complacência.
Pela tarde, tive uma dor excepcional dos meus grandes pecados, defeitos e inumeráveis faltas, reconhecendo-me com abismo de ingratidão. Todavia, tive conhecimento mais extraordinário de mim mesmo no decorrer do dia. Sei que digo ao meu divino Salvador que não me posso denominar de outra forma, a não ser como um milagre de sua infinita misericórdia. Por tudo isso, seja por todos louvado e engrandecido o santo nome de Deus. Amém.
29 de dezembro, Domingo.
Na oração da noite, estive em paz e um tanto distraído. Tive um recolhimento extraordinário na oferta da sua Santíssima Vida, Paixão e Morte, como também nas súplicas, sobretudo pelos hereges, e me senti movido a rezar particularmente pela Inglaterra, sobretudo para que fosse levantado o estandarte da Santa Fé, a fim de ser espalhada a devoção, a reverência, as honras, o amor e freqüentes adorações ao Santíssimo Sacramento, mistério inefável do santo Amor de Deus, para que, de modo mais singular, seja glorificado Seu santo Nome. Não me vai embora o desejo de ser mártir, em especial do Santíssimo Sacramento, lá onde este mistério é negado. Na sagrada Comunhão, estive quase insensível e logo chegaram as distrações.
À tarde, senti-me um tanto recolhido e movido a reparar as muitas irreverências que são cometidas, de modo especial na Igreja, isto eu o fiz de modo particular para reparar ditas irreverências, com as correções, como tenho feito pela a graça de Deus. Ocorre-me dizer: Oh, meu querido Jesus! Oxalá logo pudéssemos fugir da Igreja e que os anjos transportassem o santíssimo Sacramento a um lugar onde não pudesse ser profanado com irreverências e ofensas graves. Peço que me dê força de chorá-las com lágrimas de sangue, como tanto desejo.
30 de dezembro, segunda-feira.
Primeiro fiquei recolhido. Depois, na hora da santa Comunhão, também recolhido de maneira excepcional e ainda movido até as lágrimas. O restante do dia fiquei distraído e o passei com pensamentos voltados para coisas futuras. O inimigo punha diante de mim que deveriam chegar grandes tribulações em relação à minha família. Também me viem grande desolação. Emtudo seja feita a vontade de nosso bom Deus. Amém.
31 de dezembro, Terça-feira, dia de São Silvestre.
Fiquei árido e distraído, mas em paz interior, embora molestado pelos pensamentos já citados. Na santa Comunhão estava, sim, em paz, mas quase insensível e duro de afetos. Pela tarde, me senti particularmente recolhido.
1º de janeiro de 1721, quarta-feira.
Eu me vi elevado altissimamente a um grande recolhimento, pelo infinito amor do nosso dulcíssimo Deus. Tive lágrimas abundantes, sobretudo depois da santa Comunhão, na qual tive afetos sensibilíssimos de santo amor, parecendo-me que me desfaziaem Deus. Contavaao meu Jesus as minhas misérias, com grande confiança, mas sem fadiga e com grande doçura. Dizia-lhe dos meus escrúpulos, que posso ter acerca de um voto que fiz de privar o corpo de todo o prazer supérfluo. Dizia-lhe, por exemplo, que Ele sabe que, quando tenho fome, sinto prazer em comer, ainda que seja pão seco. No meu interior sentia suavemente que me respondia que isto é necessário. Então, o coração se desfazia e caía no mais terno pranto, misturado a grandes sentimentos de amor.
Tinha, também, conhecimento de estar unido por estreito vínculo de amor à santíssima Humanidade e, ao mesmo tempo, diluído e elevado a um alto e sensível conhecimento da Divindade. Porque, sendo Jesus Deus e Homem, a alma não costuma estar unida com amor santíssimo à santíssima Humanidade, sem estar igualmente como que liquefeita (sem, de fato, estar) e elevada ao sensível e ao mais alto conhecimento da Divindade.
Esta estupenda e altíssima maravilha não pode ser dita nem explicada nem mesmo por quem a experimenta: é coisa impossível. Pois a pessoa entende, porque Deus quer. Sente-as mais do que doces e altas maravilhas, porque (Aquele que é imenso) nos dá a entender. Mas, descrevê-las, nos resulta de todo impossível. São coisas que se tem experiência e são entendidas em um piscar de olhos – pelo menos assim me parece – porque, se durassem mil anos, julgo que eu creria que durariam menos de um instante, porque a alma estáem seu Bem infinito. Não desejo senão a Sua glória, Seu amor e que seja temido e amado por todos.
Tive outras graças muito singulares, sobretudo ao pensar no mistério da santíssima Circuncisão; também ao ajudar em uma missa, sentia em mim uma grande luz do grande amor que Deus me tem, porque devido à minha miséria e ingratidão de vida, eu sequer me atrevo a levantar os olhos para ver a imagem de Maria Santíssima. Tudo isso sempre está misturado à muitas lágrimas de grande suavidade, em especial ao ver Jesus, o meu Sacramentado Esposo.
“A Deus graças e a Maria sempre Virgem”
CANTOS
1- Ó SÃO PAULO DA CRUZ, VEM E ENSINA
Ó São Paulo da Cruz, vem e ensina o teu povo a alcançar tua sorte! Descobrindo a Paixão tão divina, ter a vida nas marcas da morte!
- As idéias, o zelo, a oração, tudo encanta e fascina em Jesus. Mas só vê todo o seu coração, quem O vê no mistério da Cruz!
- Brotam flores até nos desertos, quando vemos suspenso no espaço, este Deus que de braços abertos, quer a terra acolher num abraço.
- Com três cravos, imobilizado nessa Cruz, o Senhor nos redime. É o amor resgatando o pecado, seu perdão sempre junto ao meu crime.
2 – BENDITA E LOUVADA SEJA
- Bendita e louvada seja no céu a divina luz, e nós também cá na terra, louvemos a Santa Cruz! (bis).
- Os céus cantam a vitória de Nosso Senhor Jesus. Cantemos também na terra louvores à Santa Cruz. (bis)
- Humildes e confiantes levemos a nossa cruz, seguindo o sublime exemplo de Nosso Senhor Jesus. (bis)
- Ao povo aqui reunido, daí graça, perdão e luz! Salvai-nos, ó Deus clemente, em nome da Santa Cruz. (bis)
3 – EIS O TEMPO DE CONVERSÃO
Eis o tempo de conversão, eis o dia da salvação.
Ao Pai voltemos, juntos andemos. Eis o tempo de conversão!
- Os caminhos do Senhor são verdade, são amor. Dirigi os passos meus; em Vós espero, ó Senhor! Ele guia ao bom caminho quem errou e quer voltar. Ele é bom, fiel e justo; Ele busca e vem salvar.
- Viverei com o Senhor. Ele é o meu sustento. Eu confio mesmo quando minha dor não mais agüento. Tem valor aos olhos seus meu sofrer e meu morrer. Libertai o vosso servo e faze-o reviver!
- A Palavra do Senhor é a luz do meu caminho; ela é vida, é alegria; vou guardá-la com carinho. Sua lei, seu Mandamento é viver a caridade. Caminhemos todos juntos, construindo a unidade!
4 – NINGUÉM TE AMA COMO EU
Tenho esperado este momento, tenho esperado que viesses a mim.
Tenho esperado que me fales, tenho esperado que estivesses assim.
Eu sei bem o que tens vivido, sei também que tens chorado.
Eu sei bem que tens sofrido, pois permaneço ao teu lado.
Ninguém te ama como eu, ninguém te ama como eu.
Olhe pra Cruz esta é a minha grande prova.
Ninguém te ama como eu. Ninguém te ama como eu.
Olhe para Cruz, foi por Ti, porque Te amo, ninguém Te ama como eu.
Eu sei o que me dizes ainda que nunca me fales.
Eu sei bem o que tens sentido ainda que nunca me reveles.
Tenho andado a teu lado, junto a ti permanecido.
Eu te levo em meus braços, pois sou teu melhor amigo.
5 – Ó CRUZ DE AMOR
1 – Erguida para o céu, perfumada como a flor. Sois o dedo de Deus, ó paixão do Redentor!
Ó Cruz de amor! Quem se abraçou a Cruz só por amor, Caminha com Jesus.
Ó cruz de amor! Ó cruz de Jesus Cristo, sê nosso auxílio e luz de nossa noite.
Ó cruz de amor! Ó Cruz de Jesus Cristo, sê nosso auxílio de luz de nossas vidas.
2 – Sois luz na escuridão como uma estrela dos céus. Levai-me pela mão para o coração de Deus,
Ó cruz de amor! Quando eu vivo sem luz, sois proteção nos braços de Jesus.
3 – Aos pés da Santa Cruz está presente a Mãe de Deus. Como aos pés de Jesus, amorosa, clama aos Céus pelos filhos seus que, rejeitando a cruz, perdem a Deus, perdendo o seu Jesus.
6 –ESCUTA, ISRAEL
Escuta, Israel, Javé, teu Deus quer falar! (bis)
Fala, Senhor Javé: Israel quer te escutar! (bis)
7– TUA PALAVRA É ASSIM
É como a chuva que lava, é como o fogo que arrasa.
Tua Palavra é assim, não passa por mim sem deixar um sinal.
8 – FELIZES OS QUE OUVEM A PALAVRA DO SENHOR
Felizes os que ouvem a Palavra do Senhor; felizes os que buscam a justiça e o amor.
- Volta,meu povo, ao teu Senhor mudando a vida, mudando a história, por ti mesmo construída.
- Quebras as cadeias da miséria e opressão: eis o jejum, eis a sincera conversão.
- Ouve a Palavra que te dá coração novo, e que te faz sentir irmão, formar um povo.
9 – VOSSAS PALAVRAS, SENHOR
Vossas palavras, Senhor, são palavras de vida eterna.
1 - A Lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma.
O Testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes.
2 – Os preceitos do Senhor são precisos; alegria ao coração.
O Mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz.
10-PAIXÃO PELA VIDA
1 – Os sonhos criaram asas e nos fizeram voar.
A fé projetou caminhos, renovou nosso caminhar.
Nosso carisma é forte, como é forte nosso coração:
Acreditamos no novo que virá por nossas mãos.
Somos apaixonados, Paixão – loucura incontida,
Da Cruz explode essa chama, a nossa paixão pela Vida!
2 – Vida! É o nosso grito que convoca à união,
Homens, mulheres sem medo, esperança em construção.
Com alegria e garra, lutamos sem esmorecer,
Tirando a dor que mata, para o Reino acontecer.
3 – O mundo nos interpela, espera a libertação,
Mortes, clamores e prantos: imagens da nossa missão.
Somos profetas da Páscoa em meio ao povo sofredor.
Testemunharemos a Vida, em resposta de amor.
11 – TU ÉS MINHA VIDA
1 – Tu és minha vida, outro Deus não há. Tu és minha estrada, a minha verdade.
Em tua Palavra eu caminharei, enquanto eu viver e até quando tu quiseres.
Já não sentirei temor, pois estás aqui. Tu estás no meio de nós!
2 – Creioem ti, Senhor, vindo de Maria, Filho Eterno e Santo, homem como nós.
Tu morreste por amor, vivo estásem nós, Unidadetrina com o Espírito e o Pai.
E um dia, eu bem sei, Tu retornarás. E abrirás o Reino dos céus!
3 – Tu és minha força, outro Deus não há. Tu és minha paz, minha liberdade.
Nada nesta vida nos separará. Em Tuas mãos seguras minha vida guardarás.
Eu não temerei o mal, Tu me livrarás. E no Teu perdão viverei!
4 – Ó Senhor da vida, creio sempreem Ti! Filho Salvador, eu espero em Ti!
Santo Espírito de Amor, desce sobre nós. Tu de mil caminhos nos conduzes a uma fé.
E por mil estradas onde andarmos nós, qual semente nos levarás.
12 – TE AMAREI
1 – Me chamastes para caminhar a vida contigo. Decidi para sempre seguir-Te, não voltar atrás!
Me puseste uma brasa no peito e uma flecha na alma… É difícil agora viver sem lembrar-me de ti!
Te amarei, Senhor! Te amarei, Senhor! eu só encontro a paz e a alegria bem perto de Ti! (bis).
2 – Eu pensei muitas vezes calar e não dar nem respostas; eu pensei na fuga esconder-me, ir longe de ti.
Mas tua força venceu e ao final eu fiquei seduzido: é difícil agora viver sem saudade de ti!
3 – Ó Jesus, não me deixes jamais caminhar solitário, pois conheces a minha fraqueza e o meu coração…
Vem, ensina-me a viver a vida na tua presença, no amor dos irmãos, na alegria, na paz, na união!
13 – PASSIONISTA ME CHAMAS A SER
1 -Bem cedo, Senhor, teu chamado escutei. Respondi depressa: eu te seguirei.
Mostraste o caminho e a direção. Confiante, deixei-me guiar por tua mão.
Passionista me chamas a ser, Missionário da Cruz, da Paixão
Seguidor do amor revelado no Crucificado presente no irmão. (bis)
2- Aos poucos, Senhor, me deixei modelar. Me mostraste na vida o teu jeito de amar
O desejo de Paulo hoje é meu ideal: a Memória da Cruz pra vencer todo mal.
3 – Na Paixão do mundo vejo dor, sofrimentos; rostos marcados, clamores, lamentos
Teu apelo é de vida, eis a minha missão: ser sinal de esperança e de libertação.
14 - AVE MARIA, AO PÉ DA CRUZ
Ave Maria ao pé da Cruz, a tua fé confirma o teu sim. Tua presença é colaboração, na grande obra da salvação.
Santa Maria das nossas dores, tu nos geraste ao pé da cruz, vê os teus filhos no sofrimento, braços abertos sem ter alento.
Nossa Senhora, roga por nós! A ti clamamos em alta voz.
Mãe da Esperança e do amor, transforma em vida a nossa dor.
2 – Ave Maria, ao pé da Cruz, trazes certeza da vida que venceu. Deus exaltou teu Filho amado, que pelo mundo foi desprezado.
Santa Maria das nossas dores, Mãe solidária com os crucificados, canta de novo que Deus é forte, eleva os pobres, destrói a morte.
3 – Ave Maria, ao pé da cruz, Mãe peregrina que aprende com Jesus. A espada mostra o que é contradição, não mais conservas no coração.
Santa Maria das nossas dores, Mãe companheira nas cruzes da missão. Faz do Calvário deste teu povo, fiel semente de um mundo novo.
15 – DOXOLOGIA DA ENTREGA
Em Cristo, um crucificado eu sou. Nele fui feito escravo do amor
Pela causa do Reino, do mundo, dos pobres, servo do Senhor.
Por Cristo. Chamado a ser do irmão.
Com Cristo, fazer a vontade do Pai.
O poder, as riquezas, tudo esquecido, por Cristo deixado pra trás.
Fiz do povo a minha família, da Igreja a minha mãe,
Do mundo a minha Pátria; Em todo lugar o Evangelho anunciar!
Renunciar a si mesmo é deixar que Cristo venha de nós se apossar.
Tudo de Deus, tudo a Deus, consagro e entrego a cantar.
Já não sou mais eu que vivo, é Cristo que vive em mim.
Minha vida presente na carne eu a vivo no Filho de Deus.
A Ele que tanto me amou e a si mesmo por mim se entregou.
Toda honra e toda gloria, o meu ser e o eterno louvor (Gl. 2,20).
16 – HINO DA CF 2012
1 – Ah! Quanta espera, desde as frias madrugadas,
pelo remédio para aliviar a dor!…
este é teu povo, em longas filas nas calçadas,
a mendigar pela saúde, meu Senhor!
Tu, que vieste pra que todos tenham vida (Jo 10,10),
cura teu povo dessa dor em que se encerra;
que a fé nos salve e nos dê força nessa lida,
e que a saúde se difunda sobre a terra! (Eclo 38,8)
2 – Ah! Quanta gente que,ao chegar aos hospitais
fica a sofrer sem leito e sem medicamento!…
Olha, Senhor, a gente não suporta mais,
Filho de Deus, com esse indigno tratamento!
17 – VITÓRIA
Vitória, tu reinarás, ó Cruz tu nos salvarás. (bis)
1 – Brilhando sobre o mundo, que vive sem tua luz.
Tu és um sol fecundo de amor e de paz, ó Cruz.
2- Aumenta a confiança do pobre e do pecador.
Confirma nossa esperança na marcha para o Senhor.
3 – À sombra dos teus braços a Igreja viverá.
Por ti no eterno abraço o Pai nos acolherá.
18 – JACULATÓRIA DE SÃO PAULO DA CRUZ
Senhor, eu vos agradeço por terdes morrido na Cruz, (bis)
por meu amor. Vos agradeço, Senhor!
VIA SACRA DE SÃO PAULO DA CRUZ
ORAÇÃO INICIAL:
Senhor, vós sois tudo! Nós somos nada! Para que nos transformássemos no Tudo que sois, vós vos rebaixastes ao nada que somos.
Aqui estamos, Senhor, para acompanhar vossos passos na caminhada para a morte, morte de Cruz. Que este percorrer convosco o caminho do Calvário, seja meio eficaz para realizarmos, na Via Sacra da nossa vida, o convite austero que dirigis ao coração dos discípulos: “Tomai vossa cruz. Segui-me!” Assim completaremos em nós o que falta à vossa Paixão. Que a Virgem Mãe, ferida por cruel espada, nos acompanhe neste roteiro sagrado e nos ajude a gravar em nós vossas Santas Chagas. Amém.
I ESTAÇÃO: JESUS É CONDENADO À MORTE
“É preciso aceitar de boa vontade, com espírito aberto e resoluto, a cruz das contradições, assim como Jesus aceitou ser condenado à morte de Cruz para fazer a Vontade Soberana.” (São Paulo da Cruz)
ORAÇÃO: Ó Deus todo poderoso e eterno, que nos mostrais Jesus, vosso Filho, nosso Salvador, feito homem e humilhado até a morte de Cruz, como perfeito modelo, fazei que colhamos frutos copiosos da sua Paixão para participarmos da sua Ressurreição. Amém.
II ESTAÇÃO: JESUS CARREGA A CRUZ
“Felizes aqueles que seguem a Jesus no caminho do Calvário, pois sofrendo com Ele, com Ele hão de estar na casa do Pai.” (São Paulo da Cruz)
ORAÇÃO: Ó Deus, que esmagastes o orgulho do inimigo com o sofrimento do Vosso Filho Unigênito, concedei que nos lembremos sempre do quanto Ele sofreu por nós, para que superemos com alegria qualquer adversidade. Amém.
III ESTAÇÃO: JESUS CAI PELA PRIMEIRA VEZ
“Vede que injurias, que sofrimentos padece por nós o Salvador, esmagado sob o peso da Cruz! Contemplai como sofre por nosso amor o Filho de Deus, o Redentor do mundo. Ó Jesus, leio em vossos sofrimentos a gravidade de meus pecados. Perdoai-me, Senhor!” (S. Paulo da Cruz).
ORAÇÃO: Ó Deus todo poderoso, concedei-nos recobrar ânimo pelos merecimentos de vosso Filho Unigênito, pois nossa fragilidade nos faz desfalecer. Amém.
IV ESTAÇÃO: JESUS ENCONTRA-SE COM SUA MÃE
“A Mãe aflita vai em busca de seu Filho Jesus, o condenado. E o encontra subindo o Calvário com a Cruz nos ombros, amarrado, a cabeça coroada de espinhos. Ó Rainha do Mártires, também nós somos culpados pela cruel espada que transpassa tua alma.” (São Paulo da Cruz)
ORAÇÃO: Ó Deus, segundo a profecia de Simeão, dolorosa espada transpassou o coração de Maria Virgem e Mãe; concedei-nos que, recordando suas dores, obtenhamos os frutos da sua Paixão. Amém.
V ESTAÇÃO: O CIRINEU AJUDA JESUS A CARREGAR A CRUZ
“Aqueles que suportam, com paciência e perseverança, trabalhos, perseguições, desprezo, por amor de Deus, ajudam Jesus a carregar a Cruz. Estes hão de participar com Ele da glória do céu.” (São Paulo da Cruz)
ORAÇÃO: Ó Deus, força dos que em vós esperam. Acolhei bondoso nossas preces. E como nada podemos sem Vós, dai-nos vossa graça e cumpriremos, com alegria, vossos preceitos. Amém.
VI ESTAÇÃO: VERÔNICA ENXUGA O ROSTO DE JESUS
“A lembrança da Sagrada Paixão é o caminho que nos leva a união com Deus, ao silêncio interior, à contemplação. É preciso deixar-se envolver pelos sofrimentos de Jesus e gravá-los no coração, porque por eles, cresce em nós o amor de Deus e somos mergulhados no mar infinito da divindade” (S. Paulo da Cruz).
ORAÇÃO: Deus todo poderoso e eterno, consolo e arrimo dos que sofrem; escutai a súplica da humanidade esmagada pela dor, para que todos se alegrem por serem socorridos com o auxílio de vossa misericórdia. Amém.
VII ESTAÇÃO: JESUS CAI PELA SEGUNDA VEZ
“Quantos vivem esquecidos dos sofrimentos de Jesus. Esses andam confusos e errantes na treva do pecado” (S. Paulo da Cruz).
ORAÇÃO: Ó Deus, nosso auxílio, volvei vosso olhar sobre nós, para que, embora oprimidos por tantos pecados, por vossa misericórdia, possamos servir-vos com plena liberdade. Amém.
VIII ESTAÇÃO: JESUS CONSOLA AS FILHAS DE JERUSALÉM
“O meio mais eficaz para converter os homens, mesmo os mais desviados, é a Paixão de Jesus. A meditação dos sofrimentos do Salvador tem o poder de corrigir os vícios e conduzir os homens ao amor e ao temor de Deus” (S. Paulo da Cruz).
ORAÇÃO: Ó Deus, que acolheis com imenso amor os que em vós esperam, concedei-nos chorar amargamente o mal que fizemos, para alcançar a graça de vosso auxílio. Amém.
IX ESTAÇÃO: JESUS CAI PELA SEGUNDA VEZ
“Consideremo-nos felizes por sofrermos e sentirmos o peso da cruz de cada dia, porque, se tudo suportarmos com a paciência de Cristo, começaremos a ser seus discípulos. Prossigamos pois, neste caminho, seguindo Jesus até o Calvário” (S. Paulo da Cruz).
ORAÇÃO: Ó Senhor, que nossa fraqueza seja socorrida por vossa ajuda misericordiosa, para que o peso da debilidade humana seja aliviado por vossa clemência. Amém.
X ESTAÇÃO: JESUS É DESPOJADO DE SUAS VESTES
“Jesus se deixa despojar de suas vestes. Assim quer nos ensinar a renúncia à nossa vontade sempre que não estiver conforme à vontade do Pai; convida-nos a nos despojarmos dos vãos afetos e do amor desordenado ao que passa, para revestir-nos de sua santidade” (S. Paulo da Cruz).
ORAÇÃO: Ó Deus, apoio dos que em vós esperam, sem vós não somos nem fortes, nem santos. Derramai sobre nós vossa misericórdia e concedei-nos que, seguindo vosso caminho, passemos entre o que passa sem perder o que não passa. Amém.
XI ESTAÇÃO: JESUS É CRUCIFICADO
“Nós somos muito felizes porque estamos crucificados com Jesus e temos impressas em nossos corpos suas santas Chagas. Somos felizes também, porque não nos apegamos às criaturas, mas ao Criador, porque sofremos com paciência e por amor, as contrariedades da vida “ (S. Paulo da Cruz).
ORAÇÃO: Senhor, que nossas preces vos agradem; e fazei que nossa vontade, mesmo rebelde , sempre se conforme com a vossa. Amém.
XII ESTAÇÃO: JESUS MORRE NA CRUZ
“Jesus morreu para nos dar a vida. As criaturas todas se lamentam e sofrem. O sol se escurece, treme a terra, partem-se as rochas, rasga-se o véu do Templo. Nosso coração permaneceria insensível? Mergulhemos no mar imenso dos sofrimentos de Jesus e digamos-lhe Senhor, nós vos agradecemos porque morrestes na cruz por nosso amor!” (S. Paulo da Cruz).
ORAÇÃO: Senhor Jesus, que morrendo por Vontade do Pai, destes vida ao mundo; pelos mistérios sagrados de vossa Paixão, livra-nos do mal e fazei-nos sempre fieis a Ti. Amém.
XIII ESTAÇÃO: JESUS É DESCIDO DA CRUZ
“Ao pé da cruz está a Mãe das Dores. Porque onde está a Mãe está também o Filho. Santa Mãe, nós te pedimos que a Paixão de Jesus seja para todos fonte de arrependimento e perdão, de amor e vida” (S. Paulo da Cruz).
ORAÇÃO: Senhor Jesus, Filho do Deus Vivo, pelo vosso precioso Sangue derramado por nós, ouvi a nossa prece e fazei que depois da morte sejamos recebidos no céu. Amém.
XIV ESTAÇÃO: JESUS É SEPULTADO
“Contemplar Jesus sofredor é o caminho mais seguro para a salvação. O Crucifixo é o livro onde se aprendem todas as virtudes e a ciência dos santos” (S. Paulo da Cruz).
ORAÇÃO: Ó Deus que quisestes que fôssemos batizados na morte de vosso Filho Jesus. Concedei-nos por Ele, um sincero arrependimento dos nossos pecados, para que, passando com Ele pela morte, renasçamos para a alegria da vida nova. Amém.
XV ESTAÇÃO: JESUS RESSUSCITA
“Aleluia é um hino do Paraíso, que para cantá-lo como se deve, é necessário ter-se despojado do homem velho e ser revestido do homem novo, que é Jesus” (S. Paulo da Cruz).
ORAÇÃO: Ó Deus, aviva a nossa fé cristã para que possamos ver os sinais de ressurreição também entre aqueles que perderam a esperança e ajuda-nos a suscitar vida no mundo que criaste. Amém.
ORAÇÃO FINAL:
Nós vos agradecemos, Senhor, porque nos concedestes partilhar convosco as angústias e tribulações que nos afligem.
Concedei-nos viver sempre unidos a vós, para que, mergulhados no mar da vossa Paixão, experimentemos a grandeza do vosso infinito amor. Amém.
